 |
Adriana Clis Iniciou seus estudos musicais,
aos seis anos de idade, com sua mãe,
Marcilda Clis, no Rio de Janeiro, onde fez
parte do Coral Infantil do Teatro Municipal.
Transferindo-se para São Paulo, começou
seus estudos de canto com a professora Regina
de Boer. Em 1994 passou a estudar com o
professor Carmo Barbosa, nesse mesmo ano,
integrou o Coral Sinfônico do Estado
de São Paulo, e no ano de 1996 ganhou
o Primeiro lugar no I Concurso de Canto
de Araçatuba. Em 1997, a convite
do Maestro Samuel Kerr participou do Coral
Paulistano do Teatro Municipal de São
Paulo. Atualmente estuda canto com a Professora
Leilah
|
Farah. Com cursos de aperfeiçoamento no exterior
e diversas premiações em concursos
no seu curriculum, Adriana vem se destacando cada
vez mais na cena lírica nacional. Acaba de
receber o primeiro prêmio na edição
de 2003 do Concurso Internacional de Canto Bidu
Sayão.
Você iniciou a sua carreira muito cedo.
Conte-nos um pouco a respeito disso e da experiência
de encenar uma ópera com apenas 10 anos
de idade.
Eu comecei a estudar música aos seis anos
com minha mãe, Marcilda Clis (piano) e flauta
doce, no ano seguinte entrei no Coral Infantil do
Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde aprendi
muito com a Maestrina Elza Lakschevitz, exemplo
de respiração que já naquela
época ela cobrava e muito. Esta fase no coral
foi maravilhosa, onde tive a oportunidade de participar
de várias montagens de ópera no teatro
e uma delas foi a "Artemis" de Nepomuceno,
onde tive o privilégio de fazer o primeiro
solo de minha vida ao lado de Ruth Staerke e Carmo
Barbosa, junto à Orquestra Sinfônica
Brasileira sob a batuta de Isaac Karabtchevsky.
Podemos dizer que sua mudança para São
Paulo deu um novo rumo à sua carreira?
Como foi isso?
|
Vindo
para São Paulo, continuei meus estudos
de piano, até que um dia o Gilberto
Tinetti, presenciando algumas brigas minha
com minha mãe referente a estudar
piano, perguntou, Porque ela insistia tanto
que eu estudasse piano se eu não
parava era de cantar por todos os cantos
da casa. E foi assim que eu procurei o Prof.
Caio
|

|
Ferraz e passei a ter algumas aulas de canto, depois
entrei na Faculdade de música Carlos Gomes
e passei a estudar com a Profª Regina de Boer,
dois anos, depois mais uma vez auxiliada pelo "Tio"
Tinetti, fui fazer uma entrevista com o Carmo Barbosa
e logo lembrei que havia sido sua filha na ópera
e tivemos uma afinidade de ambos os lados.
Qual
a importância do período em que você
estudou na Rússia?
Foi maravilhosa a oportunidade de estar não
só num país deslumbrante e cheio de
mistérios, como ter tido a oportunidade de
conhecer a Profª Klara Kadinskaya, que fez
com que eu acreditasse que eu realmente era uma
mezzo-soprano e deveria trabalhar como tal.
Seu
curriculum traz diversos primeiros lugares em
concursos. Qual a real importância da participação
em concursos para a carreira de um cantor?
Primeiramente estar conhecendo pessoas de diversos
níveis e técnica. Ao meu ver a competição
também deve ser trabalhada, pois nós
artisias devemos estar preparados em ganhar mais
sobretudo em perder e jamais deixar de crer que
sempre há um dia após o outro, onde
temos a oportunidade de "Levantar a poeira
e dar a volta por cima" (Como diz a música!)
Gosto de concursos, não é fácil
de participar, digamos que é uma adrenalina
diferente, mas é foi bom ter tido a oportunidade
de vencê-los.
Infelizmente
nos deparamos este ano com o encerramento das
Bolsas Vitae de estudos. Este era um incentivo
importantíssimo para muitos artistas brasileiros,
você mesma foi ganhadora da bolsa por 3
vezes. Qual a sua opinião a respeito disso?
 |
É com grande tristeza que falo neste
assunto, pois já citado a cima, eu
realmente fui contemplada pela Vitae durante
três ano e foi ela que me deu a oportunidade
de estudar em Milão com o Maestro
Ferraro (foi maravilhoso!) e depois aqui
no Brasil com a Profª Leilah Farah,
onde fiz três aulas por semana. É
certo que |
sem este grande incentivo eu jamais poderia ter
dedicado tanto tempo de aprendizado. É impressionante
acreditar que num país tão grande
como o nosso e cheio de talentos espalhados por
aí, de repente não terão esta
mesma oportunidade que tive, pois todos nós
sabemos o quão a arte de cantar exige: aulas
particulares, aulas de percepção,
gastos com partituras, CDs e outras coias mais.
Ou seja, não é só ter vontade,
precisa-se de ajudas financeiras.
Como
foi sua recente tournée pela França?
Essa foi uma experiência única em minha
vida, onde fui cantar na bela Embaixada Brasileira
(em Paris) às margens do Rio Sena à
convite do Sr. Embaixador do Brasil, o melhor de
tudo, fazendo música brasileira, ao lado
do pianista Gilberto Tinetti. Depois fomos para
as cidades de Sévres e Bellegarde, onde fomos
muito bem recebidos mostrando a nossa música
(Mignone, Camargo Guarnieri, Valdemar Henrique etc...)
obtendo um grande sucesso, sendo este o verdadeiro
fator que me fez ser convidada novamente a retornar
com um novo repertório para um outro recital.
Estamos
vivendo a "era dos cantores de ópera".
Os jovens cantores só querem fazer ópera,
deixando grandes obras camerísticas de
lado. Este não é o seu caso. Qual
a importância do repertório camerístico
para a formação de um bom cantor?
Essencial!!! Eu adoro música de câmara,
não sei se é porque desde dentro da
barriga da minha mãe ouço estudos,
ensaios do meu pai (Watson Clis), um
| tremendo
músico que fez com que a música
de câmara estivesse sempre presente
em minha vida. Adoro a Ópera, mas
não posso deixar de falar que aprendemos
e muito com Lieds, chanson, os fraseados
a musicalidade são muito mais evidentes
no repertório camerístico.
Para mim, estar fazendo um trabalho ao lado
de Gilberto
|

|
Tinetti e Watson Clis é simplesmente um Luxo!
Como eu aprendo com estes grandes músicos!
Você
recebeu merecidamente o Prêmio Carlos Gomes
de Revelação 2002? O que isto significou
para a sua carreira?
Merecidamente? Espero que sim, afinal desde que
eu retornei da Itália (isto fazem 3 anos)
as coisas começaram a acontecer. Logo que
cheguei, fui convidada pelo Maestro Malheiro para
fazer a primeira Ópera de minha vida (sendo
solista profissional) e devo muito a ele e ao elenco
(Trabalhar com a Rosana Lamosa, foi uma experiência
inesquecível). Depois eu não parei,
fui para o Festival de Manaus, recitais, concertos
com o TRIO etc... E graças à Deus,
sempre que tive críticas, foram mais elogios,
que fizeram com que eu acreditasse no meu trabalho
e seguisse em frente.
Digamos que o Prêmio "Carlos Gomes"
foi um grande impulso para as pessoas terem vontade
de me conhecer, sendo assim, um grande incentivo
à minha carreira.
 |
E
o Prêmio Bidu Sayão, sua última
conquista, como pode ser encarado?
Este sem dúvida
nenhuma o mais difícil ! Foi uma grande
conquista, onde dependia somente de mim e
de Deus! O nível não estava
nenhum pouco fácil e me senti muito
lisonjeada justamente por isso, disputar com
pessoas estrangeiras e melhor, com grandes
cantoras, só veio a enaltecer o meu
1° lugar. E sempre que posso agradeço
à minha Família, D. Leilah e
amigos que torceram muito por mim, pois sem
a ajuda de todos eles, eu poderia não
acreditar na minha arte!
|
|