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Ana Paula Brunkow (soprano)

Natural de Curitiba, Paraná, começou sua carreira em 1989, cantando em corais. Com um grande potencial artístico, iniciou seus estudos de canto em 1990 com os mestres Neyde Thomas e Rio Novello. Trabalhou com o Maestro Joaquim Paulo do Espírito Santo, e Lázaro Wenger (in memorian). Participou de diversos Festivais e Oficinas de Música, aperfeiçoando-se cenicamente com Carlos Harmuch. Foi integrante do Coral Lírico do

Teatro Guaíra. (1990/1998) com o qual participou de diversas óperas e concertos. Atualmente apresenta-se regularmente com as mais importantes orquestras do país.


Gua Erudito: Como foi o início de sua carreira como solista?

Ana Paula Brunkow: Comecei como solista na ópera "A Flauta Mágica" de Mozart, interpretando o personagem "3o. gênio", sob a regência do Maestro Oswaldo Colarusso com a Orquestra Sinfônica do Paraná, no Teatro Guaíra em Curitiba, aos 22 anos. Depois disto fiz alguns outros papéis co-primários, como na Ópera "Aida" de Verdi, no personagem da "Sacertotiza". Foi um início tranquilo, nunca ambicionei grandes papéis, estava estudando e como a minha voz sempre foi muito "grande", eu sabia que o caminho seria longo. Sempre tive tranquilidade e paciência para me preparar para papéis mais importantes, sabia que o amadurecimento ia chegar e hoje vejo o resultado.

G. E.: Você já se apresentou com diversas orquestras sob regência de grandes nomes brasileiros. Quais foram os concertos mais marcantes? E as óperas?

A.P.B.: Já me apresentei com a Orquestra Sinfônica do Paraná, Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, sob a regência dos Maestro Emanuel Martinez, Oswaldo Colarusso, Alceo Bocchino, Aylton Escobar, Mário Záccaro e Alessandro Sangiorgi. Por enquanto, o que mais marcou a minha carreira, foi a ópera "Il Trovatore" de Verdi, na qual interpretei o papel de "Leonora" com a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, sob regência do Maestro Mário Zaccaro no Theatro Municipal de São Paulo, em 2001.

O Concerto mais marcante foi o último que fiz sob a regência do Maestro Alessandro Sangiorgi e Orquestra Sinfônica do Paraná em junho deste ano, um concerto lírico com árias e duetos ao lado do tenor Marcello Vannucci. Adorei cantar neste concerto. Tive muitos momentos marcantes pois sou muito passional em tudo que faço e amo cantar.

G.E.: Como você avalia a participação em concursos para a carreira de um cantor? É realmente importante participar?

A.P.B.: Acho que concurso é algo muito importante para o cantor se avaliar e se aprimorar, mas é como se tirasse uma fotografia daquele momento, e nem
sempre estamos bem na ocasião. Muitas vezes um trabalho enorme se esvai por motivos banais. Para o júri não interessa se você está bem ou não, é necessário mostrar em poucos minutos que possui força interior o suficiente para estar, que

sua técnica e talento estão acima de tudo. Acho importante, mas vejo que muitos desanimam de uma carreira por causa disto. Eu, por exemplo, nunca tive muita sorte em concursos, mas acho que sou boa no que faço.

G.E.: Sua participação na ópera Cavalleria Rusticana de Mascagni no Festival de Bebedouro foi bastante elogiada. Como foi este trabalho para você? O que você acha deste tipo de montagem, fora do padrão dos teatros de ópera (no caso, executada em um Ginásio de Esportes)?

A.P.B.: Eu fico contente por tantas pessoas elogiarem e gostarem daquilo que estou fazendo, faço para servir mesmo, amo cantar esta ópera, o personagem é
passional e me entrego totalmente mesmo. Na estréia, ao sair do palco veio um choro verdadeiro de dentro de mim e logo a Santuzza foi embora, mas é muito forte mesmo e isto é bom pois eu consigo passar a minha emoção ao público, que muitas vezes vem me cumprimentar chorando. É muito gratificante saber que as pessoas sentem o que você quer transmitir.

Quanto ao fato de não ser em um Teatro, acho a iniciativa muito boa, especialmente para uma cidade de interior, mas sinceramente prefiro um bom teatro com meu camarim, meu cantinho sem corrente de vento (risos). O cantor precisa disto e merece com toda certeza um ambiente apropriado, mas é claro que até o Pavarotti já cantou tantas vezes ao ar livre, para multidões, quem sou eu para dizer que não

posso? Posso e vou fazer sempre que preciso, o artista tem que servir a seu público e estar pronto, sem muitas frescuras.

G.E.: E os projetos futuros? Quando poderemos assistí-la?

A.P.B.: Estava na expectativa de cantar o personagem principal da ópera"Turandot" de Puccini, agora em setembro em Curitiba, mas as coisas aqui andam complicadas e não saiu a verba para tal trabalho. Teremos que aguardar, estou com a Turandot na minha cabeça e tenho certeza que vou fazer bem, adoro esta ópera, apesar do personagem ser bem frio, diferente do meu temperamento, é um desafio. Teremos um concerto em Jaraguá do Sul, em setembro, "Maracatu de Chico Rei", de Mignone. Quanto ao meus projetos futuros, penso em estar sempre me aprimorando e tentando algo mais, como pessoa e artista. Isto é Deus quem sabe.

 


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