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Andrea Ferreira tem se destacado na cena
lírica nacional e internacional.
Soprano radicada na Itália, vem desenvolvendo
uma carreira notável na Europa, consagrando-se
como uma das maiores cantoras brasileiras
da atualidade. No final de 2002 interpretou
o papel de "Maria" na ópera
"João e Maria" de Humperdinck
sob a regência de Jamil Maluf, sendo
aclamada pelo público e pela crítica.
Volta agora ao Brasil para interpretar o
Requiem op. 48 de G.Fauré com a OSESP,
sob a batuta de John Neschling, além
da 9ª Sinfonia de Beethoven sob a regência
de Flávio Florence, junto com a Orquestra
Sinfônica de Santo André.
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Como
teve início a sua carreira como cantora?
Minha vida como cantora começou no período
universitário, quase numa brincadeira. Eu
estava cursando a Unesp, mas com habilitação
para piano, e tinha uma amiga que achava que eu
estudava canto porque minha voz tinha qualidades
solísticas. Precisei de uns dois anos para
tomar a decisão de prestar o vestibular novamente
na própria Unesp, desta vez para o curso
de canto, continuando o de piano. Me formei em piano
dois anos antes. O detalhe foi que eu fiz a prova
do vestibular como um desafio. Eram cinco vagas
e eu nunca tinha estudado canto antes. A condição
era, se eu não passasse seria um sinal de
que teria que continuar como pianista, mas se passasse,
iria me dedicar integralmente ao canto. No final
passei, e em segundo lugar. Em três anos já
estava cantando no Theatro Municipal de São
Paulo como solista, foi o ano que cantei Berta no
Il Barbiere di Siviglia e Zerlina no Don Giovanni
e então não parei mais.
Fale
um pouco a respeito da importância que tiveram
os concursos em sua carreira.
O primeiro da minha carreira foi o Maria Callas
onde tive a honra de receber elogios do grande soprano
Magda Olivero. O segundo foi o Prêmio Eldorado
de Música. Cantava no coro do Theatro Municipal
naquela época e lá estava à
disposição de todos a ficha de inscrição
para o concurso. Eu a peguei, vi o que tinha que
ser feito, mandei uma fita e fui selecionada. Concorri
e ganhei. Daí em diante aumentou o reconhecimento,
o prestígio ao meu trabalho, até mesmo
de pessoas que não me conheciam. Foi decisivo
para decidir sair do país para me aperfeiçoar
para satisfazer as minhas próprias exigências
profissionais e construir uma carreira internacional.
Em Barcelona, fui premiada no Concurso Internacional
Canto Francesc Viñas que, com o que ganhei,
tive a possibilidade de estudar, praticamente um
ano, sem me preocupar com despesas fora do meu país.
Ganhei outros prêmios significativos, mas
os que mais interferiram no curso da minha carreira
foram esses.
Quais
motivos a levaram a se transferir para a
Europa?
O motivo fundamental
foi seguir o meu sonho de construir uma
carreira de cantora lírica o que
implicava num aperfeiçoamento profundo
vocal e cênico. Inicialmente fui viver
na Suíça por motivos pessoais
em 1998. Enquanto eu morava lá, viajava
regularmente para a Itália, onde
prosseguia meus estudos. Por uma questão
de tradição, acredito que
a técnica de canto operística
mais adequada é a italiana. Também
sempre considerei imprescindível
ter o domínio perfeito do idioma
italiano, detalhe fundamental para |

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um cantor de ópera, pois reflete diretamente
na interpretação musical da obra como
um todo e do personagem. Fiquei um ano na Suíça,
até que me transferi definitivamente para
a Itália, onde vivo até hoje.
Sua carreira operística tem sido bastante
agitada. Quais foram seus principais trabalhos?
O primeiro mais significativo foi Baile de Máscaras
de Verdi, em 1997, onde interpretei o papel de um
pajem, Oscar, que adorei fazer e surpreendeu público
e crítica. Depois posso citar belíssimas
produções internacionais como Fausto
de Gounod, interpretando Marguerite, em Gênova,
La Traviata, como Violetta, em Jesi e Rigoletto,
num Teatro de Arena na Suíça, interpretando
Gilda. No Brasil, foi uma experiência maravilhosa
viver o personagem Maria na ópera infantil
João e Maria de Humperdinck. Teria ainda
vários outros trabalhos na Europa e no Brasil
a citar, mas ficaria longo demais.
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