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Entrevista com Andrea Ferreira
Maio/2003

Andrea Ferreira tem se destacado na cena lírica nacional e internacional. Soprano radicada na Itália, vem desenvolvendo uma carreira notável na Europa, consagrando-se como uma das maiores cantoras brasileiras da atualidade. No final de 2002 interpretou o papel de "Maria" na ópera "João e Maria" de Humperdinck sob a regência de Jamil Maluf, sendo aclamada pelo público e pela crítica. Volta agora ao Brasil para interpretar o Requiem op. 48 de G.Fauré com a OSESP, sob a batuta de John Neschling, além da 9ª Sinfonia de Beethoven sob a regência de Flávio Florence, junto com a Orquestra Sinfônica de Santo André.

Como teve início a sua carreira como cantora?

Minha vida como cantora começou no período universitário, quase numa brincadeira. Eu estava cursando a Unesp, mas com habilitação para piano, e tinha uma amiga que achava que eu estudava canto porque minha voz tinha qualidades solísticas. Precisei de uns dois anos para tomar a decisão de prestar o vestibular novamente na própria Unesp, desta vez para o curso de canto, continuando o de piano. Me formei em piano dois anos antes. O detalhe foi que eu fiz a prova do vestibular como um desafio. Eram cinco vagas e eu nunca tinha estudado canto antes. A condição era, se eu não passasse seria um sinal de que teria que continuar como pianista, mas se passasse, iria me dedicar integralmente ao canto. No final passei, e em segundo lugar. Em três anos já estava cantando no Theatro Municipal de São Paulo como solista, foi o ano que cantei Berta no Il Barbiere di Siviglia e Zerlina no Don Giovanni e então não parei mais.

Fale um pouco a respeito da importância que tiveram os concursos em sua carreira.

O primeiro da minha carreira foi o Maria Callas onde tive a honra de receber elogios do grande soprano Magda Olivero. O segundo foi o Prêmio Eldorado de Música. Cantava no coro do Theatro Municipal naquela época e lá estava à disposição de todos a ficha de inscrição para o concurso. Eu a peguei, vi o que tinha que ser feito, mandei uma fita e fui selecionada. Concorri e ganhei. Daí em diante aumentou o reconhecimento, o prestígio ao meu trabalho, até mesmo de pessoas que não me conheciam. Foi decisivo para decidir sair do país para me aperfeiçoar para satisfazer as minhas próprias exigências profissionais e construir uma carreira internacional. Em Barcelona, fui premiada no Concurso Internacional Canto Francesc Viñas que, com o que ganhei, tive a possibilidade de estudar, praticamente um ano, sem me preocupar com despesas fora do meu país. Ganhei outros prêmios significativos, mas os que mais interferiram no curso da minha carreira foram esses.


Quais motivos a levaram a se transferir para a Europa?

O motivo fundamental foi seguir o meu sonho de construir uma carreira de cantora lírica o que implicava num aperfeiçoamento profundo vocal e cênico. Inicialmente fui viver na Suíça por motivos pessoais em 1998. Enquanto eu morava lá, viajava regularmente para a Itália, onde prosseguia meus estudos. Por uma questão de tradição, acredito que a técnica de canto operística mais adequada é a italiana. Também sempre considerei imprescindível ter o domínio perfeito do idioma italiano, detalhe fundamental para

um cantor de ópera, pois reflete diretamente na interpretação musical da obra como um todo e do personagem. Fiquei um ano na Suíça, até que me transferi definitivamente para a Itália, onde vivo até hoje.

Sua carreira operística tem sido bastante agitada. Quais foram seus principais trabalhos?

O primeiro mais significativo foi Baile de Máscaras de Verdi, em 1997, onde interpretei o papel de um pajem, Oscar, que adorei fazer e surpreendeu público e crítica. Depois posso citar belíssimas produções internacionais como Fausto de Gounod, interpretando Marguerite, em Gênova, La Traviata, como Violetta, em Jesi e Rigoletto, num Teatro de Arena na Suíça, interpretando Gilda. No Brasil, foi uma experiência maravilhosa viver o personagem Maria na ópera infantil João e Maria de Humperdinck. Teria ainda vários outros trabalhos na Europa e no Brasil a citar, mas ficaria longo demais.


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