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Entrevista com Andrea Ferreira
Maio/2003

Você se firmou como uma grande intérprete do personagem "Violetta" da ópera "La Traviata" de G. Verdi. Como foi isso?

Era um dos meus sonhos vivenciá-la. Esse papel eu interpretei inicialmente na Itália, no Teatro Pergolesi de Jesi e para essa ocasião mergulhei profundamente em tudo o que me fizesse compreender Violetta psicologicamente, porque certamente refletiria na interpretação cênica e vocal. Considero este um dos personagens femininos mais complexos e por isso mais fascinantes e intrigantes. Exigiu muita dedicação e cuidadosa preparação técnica e vocal, condição

fundamental para interpretar visceralmente esse personagem. Depois fui Violetta, em teatros da Lombardia e nos Municipais de São Paulo e Rio de Janeiro.

"João e Maria" foi, sem dúvida, uma produção de relevo na história do Theatro Municipal de São Paulo e nas carreiras dos intérpretes desta obra. Qual o segredo do sucesso? E qual a importância de interpretar um papel numa história voltada principalmente para o público infantil?

O segredo do sucesso foi o trabalho individual de cada um somado ao trabalho de equipe com a supervisão de um maestro exigente e detalhista como Jamil Maluf, direção criativa de Flavio de Souza, todos os artifícios explorados por Fernando Anhê e seu Grupo Imago e um elenco talentoso de cantores. Na preparação do personagem Maria usei vários recursos para reencontrar a criança dentro de mim. Resgatei muitas lembranças e sonhos de infância, reli livros infantis, vi muitos desenhos como Cinderela, Branca de Neve, filmes fantasiosos e tantos outros itens que me ajudaram a reencontrar a espontaneidade e a inocência da criança, fatores que esquecemos com o passar dos anos. Além disso, desenvolvi a habilidade de movimento sem deixar que interferisse no rendimento vocal. Pela resposta do público acho que o resultado do trabalho foi muito positivo e certamente consegui atingir o objetivo de ser convincente num papel infantil para as próprias crianças, condição para mim, fundamental.

Você brindará o público paulista com duas apresentações do "Requiem" de Fauré no final de maio. Como será trabalhar com essa grande orquestra que é a OSESP?

Em 2000, tive o grande prazer de trabalhar com esta maravilhosa orquestra, sob a regência, naquela ocasião, de Roberto Minczuk. Desta vez tenho o privilégio de trabalhar com o maestro John Neschling, em uma obra que considero belíssima e emocionante. Tenho certeza que será mais um trabalho significativo na minha carreira.

E o que vem pela frente? Quais as próximas oportunidades para assisti-la?

Tenho concertos com orquestra na Alemanha em junho próximo e outras apresentações pendentes por lá que ainda são sigilo, a confirmar. No Brasil, em novembro, Contos de Hoffmann de Offenbach interpretando a boneca Olímpia.


É sempre uma felicidade poder atuar no meu país e espero que continue sempre assim, tendo belas ocasiões para poder mostrar e dar ao público o melhor de mim.

design | marco zamlutti |