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Bidú Sayão foi, sem dúvida
nenhuma, uma das maiores cantoras líricas
de todos os tempos. e orgulhava-se profundamente
de ser brasileira. Muitas pessoas lhe renderam
homenagens e seu "Canto de Cristal"
já foi até tema de escola
de samba. Temos no Brasil, o Concurso Internacional
de Canto Bidu Sayão, um dos mais
respeitados concursos para cantores na atualidade,
promovido pela São Paulo Iamgem Data
(veja na seção Notas Musicais
o resultado final do concurso deste ano).
E, teremos, neste mês, em São
Paulo, o musical operístico "La
Demoiselle Éllue", de Adir de
Lima e Décio Gentil (Veja mais detalhes
no final da reportagem), que conta a trajetória
da cantora pelo mundo.
O texto a seguir foi tirado do site da São
Paulo |
Imagem Data, que também contém informações
completas sobre todas as edições do
Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão
já realizadas. Confira em: www.bidusayao.com.br.
As fotos foram tiradas do site do Metropolitan Opera
House, de Nova Iorque (http://www.metopera.org/history/week-990920.html).
Dona de uma voz límpida e delicada, a soprano
brasileira Bidu Sayão foi uma das mais respeitadas
artistas do Metropolitan Opera de Nova York. Seu
prestígio pode ser observado no próprio
hall do teatro, que ostenta um imenso quadro em
sua homenagem. Ao longo de sua carreira, conviveu
e trabalhou com as maiores personalidades artísticas
deste século, como o maestro Arturo Toscanini,
um de seus grandes admiradores — ele a chamava
de "la piccola
| brasiliana"
—, Maria Callas, a pianista Guiomar
Novaes e Carmem Miranda.
Além disso, foi a parceira favorita
de Villa-Lobos, numa carreira que durou
38 anos. Nesse período, emprestou
sua voz e imortalizou a Bachiana n.º
5, das Bachianas Brasileiras, as peças
mais conhecidas e mais amadas do compositor.
Esta, que foi considerada pelo maestro como
a mais perfeita gravação da
obra, foi escolhida para o prêmio
Hall of Fame, dado pela National Academy
of Recording Arts and Sciences. Clássico
brasileiro mais conhecido no mundo, por
dois anos seguidos foi o disco mais vendido
nos Estados Unidos. Bidu Sayão iniciou
seus |

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estudos musicais no Rio de Janeiro e aos 18 anos
fez sua estréia no Teatro Municipal da cidade.
Iniciou sua carreira internacional na Romênia,
e aperfeiçoou seu canto em Nice, na França,
com Jean de Reszke, o mais famoso professor da época,
adquirindo a técnica perfeita e a delicadeza
que viriam a caracterizá-la. Em Roma, cidade
que a viu nascer para o teatro lírico, foi
surpreendida por um convite para que abrisse a temporada
do Teatro Constanzi. Sua interpretação
de Rosina em O Barbeiro de Sevilha, de Rossini,
foi feita de forma tão admirável que
lhe rendeu a entrada definitiva no rol dos grandes
intérpretes líricos da Europa. Em
1925, de volta ao Brasil, cantou novamente O Barbeiro
de Sevilha antes de inaugurar outra temporada do
Teatro Constanzi. Depois disso, atuou nos mais importantes
teatros do Velho Mundo, como o Teatro São
Paulo, em Portugal, Teatro Opera Comique de Paris
e o Alla Scala de Milão, por exemplo. Excelente
atriz, sua força interpretativa garantiu-lhe
viver 22 heroínas diferentes, entre elas,
Ceci (O Guarani, Carlos Gomes), Gilda (Rigoletto,
Verdi), Mimi (La Bohéme, Puccini), Suzana
(Bodas de Fígaro, Mozart) e Violeta (La Traviata,
Verdi).
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Em 1936, a soprano brasileira Bidu Sayão
fez sua grande estréia para o público
norte-americano, cantando La Demoiselle
Élue, de Debussy, em apresentação
regida pelo maestro Toscanini no Carnegie
Hall, em Nova York. Em 1937, estreou no
Metropolitan Opera House de Nova York (onde
foi grande figura por mais de 15 anos),
cantando o papel título da ópera
Manon, de Jules Massenet. O volume de convites
que recebeu para cantar, na época,
fez com que interpretasse 12 |
papéis diferentes em 13 temporadas. Em fevereiro
de 1938, cantou para o casal Roosevelt na Casa Branca.
Na ocasião, o presidente chegou a oferecer-lhe
a cidadania americana — rejeitada na hora
por Bidu, que sempre cultivou o sonho de terminar
a carreira e a vida como brasileira.
Encantados com Bidu Sayão, os americanos
não a deixaram partir. Continuou a dar concertos
através de todo o país, sempre colhendo
triunfos, sendo, por isso,
| chamada
pelos americanos de "The Charming Singer".
Em agosto de 1955, obteve um de seus maiores
sucessos cantando no Hollywood Bowl. Com
a Calgary Symphony Orchestra, foi chamada
de "Glamorous Soprano Star". Entre
idas e vindas, o "Rouxinol Brasileiro"
— apelido que ganhou do escritor Mário
de Andrade — apresentou-se diversas
vezes em palcos nacionais. Esteve no Rio
de Janeiro em 1926, 1933, 1935 e 1936. Em
São Paulo, apresentou-se nos anos
de 1926, 1933, 1935, 1936, 1937, 1939, 1940
e 1946. Durante essas temporadas, cantou
O Barbeiro de Sevilha, Rigoletto, Matrimônio
Secreto, Um Caso Singular, Soror Madalena,
O Guarani, Manon, |

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Romeu e Julieta, I Puritani, La Traviata, La Bohéme
e Lakmé.
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Em 1957, Bidu Sayão decidiu encerrar
sua carreira artística. Com a mesma
La Demosele Élue com que entrou nos
Estados Unidos, ela encerrou a carreira
em 1958, ainda em perfeita forma e recebendo
as maiores homenagens e melhores críticas
dos jornais. Em 1959, mais de um ano após
ter encerrado a carreira nos palcos e em
público, fez uma gravação
da Floresta Amazônica, de Villa-Lobos,
atendendo ao pedido do compositor. Com ela,
Bidu Sayão encerrou definitivamente
a carreira, definindo este último
trabalho com seu "canto do cisne".
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| Em
1995 veio ao Rio de Janeiro para ser homenageada
pelo enredo da escola de samba Beija-Flor.
Antes de ir embora, não escondeu
sua vontade de retornar ao Brasil. Bidu
Sayão morreu em 1999, aos 96 anos,
no Estado do Maine, local onde viveu durante
a maior parte do tempo, nos Estados Unidos.
Seu maior desejo era visitar o Brasil pela
última vez. Sonhava em ver a Baía
de Guanabara antes de morrer e planejava
isto para celebrar seu centenário.
Após uma longa vida repleta de glórias
e triunfos, a cantora não conseguiu
realizar esse último desejo.
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"BIDÚ SAYÃO - LA DEMOISELLE
ÉLUE"
Musical Operístico de Adir de Lima e Décio Gentil
Direção Cênica: ELVIRA GENTIL
Direção Musical e Piano: MAESTRO AQUILE
PICCHI
Cenário: RENATO SCRIPILLITI
Consultor: SÉRGIO CASOY
Figurinos: CENTRO DE MEMÓRIA DA ÓPERA
DO THEATRO SÃO PEDRO / ADAPT.: RENATO SCRIPLILLITI
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Programa:
o texto conta a história romanceada
da vida e carreira de Bidú Sayão,
famosa cantora lírica brasileira.
Estamos no início da noite das festividades
dos 100 anos do Metropolitan em New York.
O ano é 1983. A ação
se passa nos bastidores do teatro. Nesse
local vamos encontrar Bidú, uma senhora
com 80 anos que vem para receber o que talvez
seja a sua maior homenagem: a sua gravação
ao vivo de Romeu e Julieta para marcar o
centenário da mais famosa casa de
ópera dos Estados Unidos. Aqui, nos
bastidores, ela vem reencontrar o seu passado,
as suas lembranças. Aqui ela revê
Laura, uma |
antiga camareira, personagem fictícia que
sempre a acompanhou. Ao mexerem nos figurinos, as
recordações vão sendo recriadas
à sua frente, cena à cena. O elenco
de apoio, além de se desdobrar em pequenos
papéis, serve como verdadeiro contra-regra.
Os atores puxam e correm com araras para um lado
e para outro, trazendo figurinos, recriando aquelas
lembranças com muito humor e prazer.
Ficha Técnica:
Cantora: Solange Siquerolli (soprano). Atores: Heitor
Saraiva, João Bourbonnais, Mayara Magri,
Mirian Melher, Monalisa Capella, Rodrigo Cavalheiro,Tânia
Sekler, Tina Rinaldi e Vanice Padrazzini.
Release: Nascida
a 11 de maio de 1902, queria ser atriz. Impedida
pela família, dedicou-se ao canto. Estudou
na Romênia e na França. Seu canto surpreendia
pela clareza e pureza. Chamada "rouxinol"
por Mário de Andrade, tornou-se a personalidade
brasileira de maior projeção no canto
lírico internacional. Apresentou-se nas maiores
casas da Europa e Estados Unidos. Faleceu em 99,
vítima de uma pneumonia, no Maine (EUA).
Bidú Sayão morava nos EUA havia mais
de 50 anos. Integrou a Orquestra Filarmônica
de Nova York e o corpo do Metropolitan Opera House,
nas décadas de 40 e 50.
14, 15, e 16 de maio - sexta, sábado, 20h30
- domingo, 19h00 - Ingressos: R$ 20,00 e ½
entrada.
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