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ORQUESTRA EXPERIMENTAL DE REPERTÓRIO
apresenta

OS CONTOS DE HOFFMANN

Drama Lírico em 5 Atos

Música: Jacques Offenbach / Libretto: Jules Barbier
Baseada na peça homônima de Jules Barbier e Michel Carré
Edição Crítica: Michael Kaye

Jamil Maluf encara mais uma vez uma grande empreitada e vem, como em 2002, encerrar a temporada lírica do Theatro Municipal de São Paulo com uma grandiosa apresentação, que será um marco na histório do Theatro, como foi "João e Maria" de Humperdinck, em 2002. "Os contos de Hoffmann", de Jacques Offenbach traz uma montagem inédita na história do Theatro Municipal e no Brasil. Muito luxo nos figurinos, cenário prático e muito funcional, excelente jogo de luzes e ótimos cantores deleitam o público neste grande espetáculo. As récitas acontecem dias 1, 3 e 5 às 20:00h e dia 7às 17:00h. Vale a pena conferir mais este grande sucesso da OER.

JACQUES OFFENBACH

Nascido em 1819, em Colônia, Alemanha, com o nome de Jakob, esse filho de um cantor de sinagoga se mudou, ainda muito jovem, para Paris, onde passou a se chamar Jacques.
Após estudar no Conservatório, trabalhar como violoncelista no Opéra-Comique e como maestro da orquestra do Théâtre Français, em 1855 ele fundou o Bouffes-Parisiens, para o qual criou inúmeras operetas, como o seu primeiro grande sucesso "Orfeu no Inferno". Em 1873 se tornou diretor do Gaîté Lyrique, teatro que rapidamente foi à bancarrota. Arruinado financeiramente e com a saúde abalada, fez uma turnê pelos Estados Unidos, morrendo, em 1880, em Paris, antes de terminar seu projeto mais ambicioso, a ópera "Os Contos de Hoffmann".



OS CONTOS DE HOFFMANN

O tema para essa ópera ocorreu à Offenbach, quando ele assistiu, em 1851, à uma peça de Barbier e Carré, baseada em três histórias fantásticas de Ernst Theodor Hoffmann, extraídas, em parte, de um episódio real da vida desse compositor e escritor alemão. Mas, apenas em 1876, durante a turnê pelos Estados Unidos, o projeto começou a amadurecer. Após fracassada tentativa inicial de estrear a nova ópera no Théâtre de la Gaîté-Lyrique, que fechou suas portas, Offenbach promoveu, então, em 1879, uma audição em sua casa de nove números da partitura, em redução para canto e piano. Entre os 300 convidados estava Léon Carvalho, diretor do Opéra-Comique, que acabou ficando com os direitos de execução. Ansioso por ver sua ambiciosa obra encenada, Offenbach cedeu às inúmeras exigências feitas por Carvalho:
-- o papel de Hoffmann, originalmente para barítono, foi reescrito para tenor
-- entre os números cantados foram acrescentados diálogos falados
-- os 3 papéis femininos, originalmente para soprano lírico, foram reescritos para coloratura
A morte prematura de Offenbach, em 1880, o impediu de ver sua ópera encenada, bem como também de concluir a obra, embora os ensaios já tivessem começado !
Ele deixou o Iº ato inteiramente orquestrado, indicações precisas sobre a instrumentação do IIº, IIIº e início do IVº e trechos de composição faltando no final do IVº e no Vº.
Assim como em "Carmen", de G.Bizet, Ernest Guiraud foi chamado a completar a obra (ele escreveria, também, os recitativos para a estréia de Viena, em 1881). Léon Carvalho adiou várias vezes a estréia, enquanto continuava a fazer inúmeras alterações:
-- o papel duplo da Musa/Nicklausse, cantado por um mezzo-soprano, foi desmembrado em dois: a Musa virou um papel falado, e Nicklausse foi dado à um tenor
-- o IVº ato foi totalmente cortado, pois era "excessivo", segundo Carvalho, tendo alguns de seus melhores trechos simplesmente transferidos para outros atos
A premiére da obra, mutilada, finalmente aconteceu em 10 de Fevereiro de 1881.
Após a estréia, porém, nem todos os manuscritos (usados ou não) retornaram à família de Offenbach. A ausência dessas fontes seguras fizeram com que os Contos, por muito tempo, conhecessem várias versões, hipóteses que, hoje se sabe, traíam os desejos do compositor, "escondidos" em manuscritos que só viriam à tona a partir da década de 70 do século vinte.

AS ESCOLHAS DA DIREÇÃO MUSICAL

De acordo com o que nos revelam manuscritos originais redescobertos, Os Contos de Hoffmann são uma obra híbrida, composta por números musicais ligados por recitativos (compostos por Offenbach !), melodramas e diálogos falados. E é essa a forma escolhida pelo Mto. Jamil Maluf que, após extensa pesquisa, optou também pelo uso da edição crítica de Michael Kaye que, segundo o maestro, é a que melhor reflete o estágio atual das investigações sobre a obra de Offenbach.

MICHAEL KAYE OU O RETORNO ÀS ORIGENS

O trabalho de recuperação dos desejos originais de Offenbach começou logo após a estréia dos Contos de Hoffmann. Gunsbourg, em Monte-Carlo, em 1904, abriu vários cortes. Hans Gregor, em Berlim, em 1905, restaurou o IVº Ato (Giulietta). Em 1953, a Ópera de Paris restabeleceu o registro de mezzo à Nicklausse, e a ordem original dos atos: Olympia,Antonia e Giulietta (e não Olympia,Giulietta e Antonia) e, em 1958, o Opéra-Comique voltou aos diálogos falados.
Em 1976, o maestro e estudioso Antonio de Almeida fez a importante descoberta de 1250 páginas de manuscritos dos Contos, na residência de familiares do compositor. Fritz Oeser publicou então, em 1978, sua edição crítica baseada, em grande parte, nessa descoberta.
Em 1984, mais de 350 páginas de autógrafos foram descobertas na casa de Gunsbourg, que continham, entre outras preciosidades, o ato de Giulietta, como havia sido originalmente concebido, antes da decisão de eliminá-lo.
Essas descobertas serviram de base para a edição crítica (usada nessa produção) feita por Michael Kaye.
Um dos aspectos mais importantes da edição Kaye, é a reconstituição do IVº Ato (Giulietta), segundo o libretto que foi submetido aos censores parisienses à época de Offenbach. Nesse final, Hoffmann, após matar Schlemil, confessa seu crime e é preso pelas autoridades. Desprezado por Giulietta e seus hóspedes, ele tenta matá-la. Nesse instante, Dapertutto, invocando poderes sobrenaturais, o cega, fazendo com que ele apunhale, por engano, Pitichinaccio. Giulietta se joga sobre seu cadáver e Hoffmann se exaspera, em meio às risadas dos hóspedes (vide Sinopse).
Esse final original foi executado, pela primeira vez, em 1999, em Hamburgo, causando grande impacto no mundo da ópera. Ele será utilizado, também, pelo Mto. Jamil Maluf, nessa produção para o Teatro Municipal de S.Paulo.


LEIA NAS PRÓXIMAS PÁGINAS A SINOPSE DA OBRA E VEJA AS FOTOS DESTA MONTAGEM NO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO.

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