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Entrevista com Cyclophonica
Julho/2003

Quem são os integrantes da Cyclophonica e qual a sua formação?

A Cyclophonica tem o privilégio de contar com um grupo bem diversificado de profissionais, de distintas referências musicais. Na primeira formação, incluía o

compositor, flautista e professor de composição, harmonia e estética Pauxy Nunes Filho e o também flautista Afonso de Oliveira, ambos professores da Escola de Música da UFRJ. Atualmente, é formada pelos seguintes membros:

Leonardo Fuks: diretor e oboísta , engenheiro mecânico, inventor de instrumentos e professor de Acústica Musical e Fisiologia da Voz da UFRJ, mestre em engenharia de produção pela COPPE-UFRJ e PhD em Acústica Musical pelo Instituto Real de Tecnologia da suécia, tendo tocado na Orquestra Sinfônica do Paraná e Teatro Municipal do Rio de Janeiro, entre outros;

Sérgio Magalhães
: flautista e saxofonista de formação popular, artista plástico graduado pela UFRJ, especialista em saúde pública e funcionário da Fiocruz;

Manoela Marinho: cavaquinhista, violonista e educadora musical, tendo estudado na Uni-Rio;

Fernando Ariani: compositor, regente, pianista, educador musical, mestre em composição pela UFRJ, tendo se especializado em música para cinema e
vídeo em Los Angeles, Califórnia;

Cosme Silveira: fagotista da Orquestra Sinfônica Nacional, com cursos em Viena, Áustria, bem como a graduação em clarineta pela Uni-Rio;

Denise Padilha: flautista, atriz, engenheira e cantora lírica;

Sérgio Naidin: percussionista da Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e professor da Escola de Música UFRJ, mestre em música pela
Universidade de Londres, Inglaterra;

Sheila Zagury: pianista com formação erudita, popular e jazística, professora de piano e percepção da Escola de Música da UFRJ, mestre em
música pela Uni-Rio, tendo realizado estudos musicais em Paris e Londres.

Quais os instrumentos utilizados e as formas de tocar empregadas?

Segundo o código de trânsito brasileiro, toda bicicleta deve estar obrigatoriamente equipada com uma buzina. Portanto, todo ciclista é um instrumentista em potencial. Apitos, buzinas de todo tipo (de palheta, percussão, atrito, eletrônicas, elétricas) e sinos fazem parte do arsenal dos músicos, além de flautas, clarineta simplificada, oboé e fagote plásticos, trombones de mangueiras de jardim, tambores, cítara nordestina e até um Didjeridú, instrumento dos aborígenes australianos, um dos mais antigos do mundo. Devido às limitações impostas pela bicicleta, e mesmo para evitar acidentes, os instrumentos só podem ser

controlados com uma mão livre, sendo que sempre que necessário o ciclofonista pode reassumir o guidão com ambas as mãos. Ainda assim cyclophonica já reuniu um acervo de mais de 40 instrumentos e está continuamente acrescentando e desenvolvendo novos. Os instrumentos são usados criteriosamente, de acordo com as partituras. O improviso acontece num contexto organizado, com movimentos ensaiados e coreografia que aproveitam ao máximo a competência de cada instrumentista.
Um aspecto importante, também de interesse para neurologistas, é o fato de que é possível tocar em qualquer andamento e andar de bicicleta em qualquer outro. Portanto, o movimento das bicicletas é totalmente desacoplado ao ritmo musical, ao contrário do que ocorre com uma banda marcial. Os sons da cidade também não são problema para a Cyclophonica, pois como observa Leonardo Fuks: "Também procuramos interagir com os sons que vão ocorrendo. Se passa uma moto, ou um pásssaro, não reclamamos do som, dialogamos com ele. Já encontramos britadeira, animais nos seguiram".

O que foi a "Reciclagem sobre Rodas Bikeanas 2001"?

A Cyclophonica foi honrosamente convidada pela coordenação da XIV Bienal de Música Contemporânea de 2001 para participar do seu concerto de
encerramento. Entretanto, não possuía nenhuma obra estritamente contemporânea ou adequada para a ocasião. Leonardo Fuks teve uma "inspiração": anotou os nomes dos compositores que se apresentariam na segunda parte do programa daquela noite, quase todos amigos de membros do grupo, ligou para cada um deles e lhes solicitou a autorização para o uso de

uma página e dos próprios solistas de suas obras. Os compositores Chico Mello, Tato Taborda, Roberto Victório e Lau Medeiros topara mde imediato esta solicitação, assim como seus músicos. A assim, após um dia de estréias musicais, a Cyclophonica surgiu com a Reciclagem sobre Rodas Bikeanas 2001, que fazia

uma bem-humorada retrospectiva em tempo real daquele mesmo concerto, utilizando os temas "pops" das Bachianas 2 (Trenzinho do Caipira) e o da Bachianas 5 como um leitmotif entre as obras.

Quais os principais eventos da Cyclophonica?

A Cyclophonica já participou de dezenas de eventos nestes anos, podendo ser destacadas a já mencionada Bienal de Música Contemporânea em 2001,
espetáculo na Estação Central do Brasil (2003), concertos na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Escola de Música da UFRJ- 2002, Concerto na Praça Paris (RJ)
em 1999, Performato no Espaço Sérgio Porto-2001, documentários para a STV/Sesc Senac (Balaio Brasil) e as TVs norte-americanas Univision e Telemundo, Programa do Jô (julho de 2002), Cyclophonia no Espaço- Museu do Universo do Rio de Janeiro- 2001, Eventos no Centro Cultural do Banco do Brasil - 2000 , e reportagens nos principais jornais e tevês brasileiros. Internacionalmente, a Cyclophonica já foi matéria das duas maiores agências mundiais: Reuters e Associated Press. Em outubro de 2002, a Cyclophonica foi tema de seminários, apresentações e workshops nos Estados Unidos, com a presença seu diretor, a convite da Universidade de Maryland- Frostburg. A seguir, alguns links com notícias sobre a Cyclophonica (basta clicar no nome em negrito para entrar na página).

Pedalando e tocando [ 05.Jul.2001 ] de Helena Aragão

Entrevista no programa do Jô apresentada em 23/05/2002

Jornal do Brasil de 18 de Agosto de 2001

Reportagem de DAVID DISHNEAU, Associated Press

Onde poderemos assistir a Cyclophonica?

Neste mês de julho de 2003, a Cyclophonica tocará no Campus da Universidade Estadual de Maringá no dia 4, a convite da reitoria e por acasião do reinício das aulas; no aniversário da cidade de Volta Redonda, em 17 de julho e na abertura do I Festival de Música do Vale do Café, em Vassouras, em 20 de julho.
No momento, a Cyclophonica está concebendo e produzindo seu primeiro espetáculo a ser

apresentado em teatro, inspirado na obra de Marcel Duchamp
(o criador do Ready-Made) e na composição de Mussorgsky "Quadros de Uma Exposição": uma grande instalação com objetos Ready-Made sonoros e móveis,
conectados musicalmente com variações do tema "Promenade", daquela obra, e com peças musicais especialmente escritas por sete compositores contemporâneos convidados. Em 2004, está prevista a realização de um concerto Cyclophonico no Japão, na cidade de Nara, durante congresso internacional de acústica, com membros locais e brasileiros, dependendo ainda de apoio financeiro.
Para contatos e maiores informações, a Cyclophonica possui o
e-mail : cyclophonica@ig.com.br e o
site em construção: www.cyclophonica.hpg.com.br


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