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Quais os seus principais trabalhos como
concertista?
Os que tiveram
resultado mais marcante para mim foram aqueles
que fiz em benefício de obras que
estavam acontecendo e precisavam de ajuda
naquele momento, como por exemplo, quando
houve um terremoto no Chile que destruiu
várias escolas, isso foi na década
de 50, e eu fiz um concerto no Rio de Janeiro
pelas escolas do Chile. Fiz, posteriormente,
muitos concertos em benefício de
creches e de asilos. Posso citar os
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mais marcantes. Em Viena eu toquei pelas vítimas
da guerra de Kosovo, especialmente pelas crianças.
Toquei aqui em São Paulo para a reconstrução
do TUCA, após seu incêndio. Fiz, em
Catanduva, um concerto pelos flagelados de uma enchente
horrorosa, em que muitas pessoas perderam suas casas.
Lá também fiz um concerto pela fome,
onde todo o cachê foi doado para ajudar as
pessoas pobres de lá. Claro que num único
concerto você não mata a fome das pessoas,
mas foi uma atitude que acredito servir de exemplo
para que outros façam este tipo de trabalho
também. Toquei também em Buenos Aires
pelas vítimas da guerra das Malvinas. Tenho
feito muita coisa também através de
uma ONG da qual faço parte, o Clube Soroptimista
Internacional de São Paulo. Eu assumi a presidência
no biênio 2000-2002 e todos os eventos que
eu organizei foram musicais, uma forma de angariar
fundos para creches, asilos. Ao invés de
cobrar ingressos, pedíamos um brinquedo.
E dessa forma, através do maravilhoso caminho
da música, conseguimos muitas coisas. Eu
espero que a música erudita seja sempre apoiada,
divulgada e cresça cada vez mais e que as
pessoas saibam valorizar a preciosidade que está
dentro disso.
Dentre os concertos, um que me marcou profundamente,
foi um que toquei em 1995 com uma orquestra regida
pelo maestro Robert Bolden no tabernáculo
Mórmon, e foi aonde eu tive o maior público
da minha vida - 6000 pessoas que me aplaudiram de
pé. Foi uma das maiores emoções
que tive, ao terminar o Concerto nº2 de Rachmaninov
no piano aonde o próprio Rachmaninov tinha
se apresentado tocando o mesmo concerto e uma pessoa
que me apresentou, disse que tinha assistido o concerto
do Rachmaninov e agora estava assistindo ao meu
concerto, e disse que eu tocava melhor que o Rachmaninov
(risos). Essa afirmação me deixou
bastante preocupada, pois essa pessoa fez essa afirmação
baseado nos nossos ensaios. Essa pessoa era o Diretor
da Orquestra. Quando eu entrei no palco, senti o
quanto aquela afirmação havia me balançado,
pois tenho uma profunda admiração
por Rachmaninov como compositor e como pianista.
Imagine só ele me comparar com Rachmaninov
me colocando à frente do próprio...de
jeito nenhum... ele é único, sensacional,
tenho paixão por ele. O concerto foi um sucesso,
e, de repente, alguém no meio daquelas seis
mil pessoas levanta a bandeira brasileira... isso
me emocionou muito. Mostrei a minha emoção
maior levando a mão ao coração,
pois eram brasileiros que estavam ali, e que depois
até vieram me cumprimentar. Nós artistas
temos que ter sempre em conta que lá fora
estaremos sempre representando o nosso país.
Lá fora, seremos sempre o Brasil. Isso sempre
teve muito significado para mim, tanto é
que eu sempre toquei muita música brasileira.
Dentro do Brasil, já toquei em quase todos
os estados. Já toquei também com muitas
orquestras brasileiras: Rádio Gazeta, OSB,
Estadual de SP, Municipal de SP, toquei em Belo
Horizonte, em Santos, com a Orquestra da USP, regida
por Camargo Guarnieri, já toquei com Isaack
Karabitchevski, Tibiriçá, enfim, com
diversos maestros. Fiz muita música de câmara
também, duos, trios, várias formações.
Dentre
os seus CDs, quais aqueles que você destacaria?
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O CD mais importante, que teve repercussão internacional
foi "Alma Brasileira". Mas a primeira
gravação que eu fiz foi "Antologia
de Autores Nacionais" que foi feita
em 1965 pela RGE e considerada pela associação
paulista de críticos de música
como a melhor gravação do
ano. Depois dele eu fiquei algum tempo sem
gravar, até que me convidaram para
fazer um disco, mas era um selo particular
que queria fazer uma gravação
de música e poesia. E eu fiz e ficou
muito bonito, chama-se "Sonho de Amor".
É na verdade um duo |

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de piano e poesia porque não foi só fundo musical, a
música teve uma ação preponderante
no todo. Ora piano junto com poesia, ora intercalados.
Foi uma experiência que me levou a diversas
apresentações junto com o poeta Paulo
Bonfim. Depois desse disco eu fiz um a convite da
firma "Clock" de panelas de pressão
(que já não existe mais), que queria
fazer um disco para presentear seus clientes e eu
gravei as valsas de Chopin. Na capa deste disco
está uma foto de minha mãe no dia
de seu casamento, uma foto bem romântica.
Este disco não foi vendido, apenas distribuído.
No centenário de nascimento de Villa-Lobos,
eu fiz uma série de concertos com o programa
inteiro dedicado a ele. E nessa ocasião eu
gravei um disco só com obras dele. Depois
desse disco eu gravei o CD nos EUA. Eu até
gostaria de gravar mais coisas, pois hoje vejo a
importância da gravação. Antes
eu era meio avessa a gravações, preferia
tocar ao vivo. Mas, pensando em termos de eternizar
o trabalho, de deixar um registro para a posteridade,
a gravação é muito importante.
O concerto é restrito àquelas pessoas
que o assistem, já a gravação
pode atingir a todos. Fale-nos
um pouco mais sobre o CD "Brazilian Soul
- Alma Brasileira".
Eu gravei o CD "Alma Brasileira" nos EUA,
em Salt Lake City, e isto aconteceu casualmente.
Eu conheci a pessoa que tinha um estúdio
de gravação. Quando ele me ouviu tocar,
ele marcou uma hora comigo para conhecer o estúdio.
E, a partir daí, já marcamos a gravação.
E como eu sempre divulguei muito a obra brasileira,
nada melhor do que tocar autores brasileiros e também
colocar aqueles que fizeram músicas em minha
homenagem. É um CD com dezoito músicas.
Eu comecei com a Segunda Valsa de Esquina, do Mignone,
depois eu toquei a Quinta valsa dele e a Congada
que são três peças muito importantes
para mim. Na seqüência eu escolhi Souza
Lima, e fiz duas improvisações dele,
a nº1 e a nº2, e depois toquei o Prelúdio
nº5, que ele dedicou a mim. Como eu estudei
com o maestro, eu tocava muito as obras dele para
ele e cheguei a um ponto em que ele dizia: "Olha,
é assim mesmo que eu quero, Eny". De
Arnardo Rebello, gravei o Lundu Amazonense e depois
gravei o Odeon de Nazareth, que das peças
desse compositor é uma das minhas preferidas.
De Villa-Lobos eu toquei "Alma Brasileira",
que deu nome ao CD, e a Dança do Índio
Branco, que é uma música que sempre
me é pedida para tocar. A seguir, do Domenico
Barbieri, toquei a Valsa nº 1, que foi dedicada
a mim. Esse compositor era médico e estudava
composição. A próxima é
de Eduardo Escalante, uma marcha que ele também
dedicou a mim, muito bem feita, por sinal. Depois
deste, coloquei Teodoro Nogueira. Ele também
fez muita coisa para mim, mas escolhi um Lundu,
que é uma dança brasileira que ele
dedicou a mim. Muito bem feita. Esse compositor
fez um trabalho sobre a música da fala, que
pouca gente conhece. Ele fez uma pesquisa de mais
de vinte anos sobre a música da fala. Cada
pessoa, quando se expressa através da fala,
faz uma música.Foi uma pesquisa realmente
fantástica, e até a TV Globo fez um
trabalho de divulgação dessa pesquisa.
Depois eu toquei Nilson Lombardi, que é de
Sorocaba e fez duas miniaturas lindíssimas,
a nº2 e a nº5. São pequenininhas,
mas muito especiais. Para fechar, escolhi o Sérgio
Vasconcelos Corrêa, que dedicou a mim três
estudos, baseados na música do Luís
Gonzaga. A primeira chama-se "A Dança
da Moda", um baião. A segundo chama-se
"Assum Preto" e a terceira é o
"Juazeiro". O Sérgio fez um trabalho
lindíssimo em cima dessas três peças,
dando-lhes uma roupagem erudita. Foi um CD feito
com muito carinho e preocupação em
situar obras menos conhecidas e de muito valor de
mestres da composição brasileira.Infelizmente
esse CD já se esgotou.
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Como foi a sua nomeação para
"Steinway Artist"?
A indústria
de pianos Steinway costuma ter alguns artistas
que ela chama de "Artistas do Hall
of Fame". É uma espécie
de homenagem que eles fazem a determinados
pianistas de todo o mundo. Do Brasil existem
alguns poucos que foram escolhidos e eu
recebi uma carta da |
Steinway de Nova Iorque, que me convidava para ser
"Steinway Artist", ou seja, uma artista
da Steinway, que entraria para esse "Hall da
Fama". Na época eu tinha um empresário
americano que fez os contatos, marcou e eu fui a
Nova Iorque receber o título. Estive numa
firma de pianos Steinway, onde assinei o meu nome
dentro de um piano Steinway, na chapa de aço,
dentro do piano. Me sinto honradíssima com
isso, pois é oferecido a poucos. Eu pude
deixar as minhas impressões do piano Steinway,
que é uma obra de arte, uma preciosidade.
Ele tem a sonoridade necessária para você
poder arrancar dele o que você quiser. Você
se casa com ele e é muito feliz...(risos)
é um piano feito para se tocar com prazer.
Meu primeiro piano foi um Becker, que ganhei de
meus pais quando eu tinha 8 anos, é um piano
alemão, armário, que tenho até
hoje, um excelente piano, com uma sonoridade fantástica.
Depois eu ganhei o piano Schwartzmann no concurso,
quando tinha 15 anos, e que também tenho
até hoje, fica lá na minha chácara.
Jamais poderei me desfazer dele, pois é um
troféu. O primeiro piano de cauda que eu
tive foi um Beckstein, muito bom também.
Hoje em dia, não tenho mais esse Beckstein,
mas tenho um Steinway de aproximadamente 12 anos.
Fantástico, por sinal.
Quando poderemos assistí-la?
| O
próximo recital será no Theatro
São Pedro, dia 9 de maio, às
21:00h. Depois desse, tenho já um
concerto em Piracicaba que ainda depende
de marcação de data, tenho
um dia 5 de outrubro no Museu Brasileiro
de Escultura, às 16:00h. Os programas
sempre trazem música brasileira e
nesse do Theatro São Pedro vou tocar
também Chopin e Liszt. Este do Theatro
são Pedro é um concerto comemorativo
dos meus 50 anos de
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carreira. Espero a todos lá.
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