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Jamil Maluf é regente titular da
Orquestra Experimental de Repertório,
atualmente um dos corpos estáveis
do Theatro Municipal de São Paulo.
Este ano ele poderá ser visto em
diversos concertos no Theatro Municipal
de São Paulo, além de estar
produzindo três óperas. A primeira
estréia neste mês de março
no Theatro Municipal de São Paulo
e chama-se "O Chapéu de Palha
de Florença" e seu autor é
Nino Rota, importante compositor italiano
(veja a seção "Destaques
do Mês").
A OER vem crescendo notadamente e o trabalho
de Jamil Maluf se dastaca cada vez mais.
Ele é o tipo de regente que "veste
a camisa" do grupo e põe "a
mão na massa". Veja a seguir
a entrevista.
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Como
teve início a sua carreira de regente?
Minha carreira de regente é uma conseqëncia
da minha vocação como compositor.
Eu comecei como pianista e compositor. Meu interesse
foi muito grande em composição. Eu
estudei com Koelreuter, fiz todo o roteiro que todo
jovem compositor fazia naquela época. E o
meu interesse foi se ampliando cada vez mais até
chegar ao ponto de reger.
E
como é o trabalho do Jamil Maluf compositor?
Bem, como eu disse, o trabalho como compositor
começou há muitos anos atrás,
eu passei por vários estágios, desde
adolescente, quando comecei a compor música
popular brasileira, trabalho que fiz durante muitos
anos. Depois passei a compor trilhas sonoras para
teatro universitário e, quando eu me mudei
de Piracicaba para São Paulo comecei a
ter um forte interesse pelo movimento da música
de pesquisa, de vanguarda que era feita aqui em
São Paulo, e passei a estudar com Koelreuter
e a compor de uma maneira radicalmente oposta
à que eu fazia antes - eu pulei da música
popular brasileira para a música de vanguarda
erudita. E depois quando fui embora para a Alemanha
eu continuei com o meu interesse em composição,
pois fui aluno de Klaus Huber, um dos grandes
compositores do século XX. E com ele fiz
um curso muito interessante de composição,
compondo intensamente. Mas à medida que
eu fui me encaminhando para a regência,
eu abandonei a composição, e só
recentemente eu retomei, há uns dois anos
atrás, mas como compositor para música
de teatro.
Como
se deu o seu envolvimento com a Orquestra Experimental
de Repertório?
A Orquestra Experimental de Repertório
foi uma criação minha. É uma
orquestra que eu sempre achei que seria necessário
existir. Não se trata apenas de criar uma
orquestra, se trata de criar uma orquestra que seja
necessária, principalmente num país
com tantas dificuldades orçamentárias
quanto o nosso. Eu já tinha feito um trabalho
com a Orquestra Sinfônica Jovem Municipal
na
época, mas era uma orquestra que,
por sua própria estrutura (nº
de músicos limitado a 80, falta de
uma estrutura administrativa, etc) já
não comportava mais o seu crescimento.
Era necessária uma modificação.
Eu achei então, que a Sinfônica
Jovem Municipal poderia muito bem servir
como um primeiro estágio na formação
de um músico de orquestra. Ela |

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foi então transferida para a Escola Municipal
de Música, onde ela está e existe
até hoje. E criou-se então a Orquestra
Experimental de Repertório, como um estágio
mais avançado, de onde o músico pode
sair para a vida profissional. Eu tive essa idéia
de criar uma orquestra em que você tivesse
cem músicos, tivesse músicos profissionais
misturados, como chefes de naipe - hoje de nossos
cem músicos, dezessete são profissionais
e 83 são pré-profissionais, bolsistas
já em estado avançado. Temos uma infra-estrutura
bem maior do que a orquestra jovem, que tinha um
único funcionário além do maestro,
aqui temos 12 funcionários. Nesta gestão
da Marta Suplicy a orquestra foi transformada num
corpo estável do Theatro Municipal de São
Paulo e isso tem muita importância para nós.
Artisticamente, desde a sua fundação,
em 1990, a orquestra vem tendo grandes oportunidades.
Continua preenchendo absolutamente todos os objetivos
iniciais. Por exemplo, formar instrumentistas, incentivar
novos repertórios para orquestra sinfônica,
utilizando novas tecnologias. O nome Experimental
tem a ver com experimentação no sentido
de buscar novas fórmulas para concertos sinfônicos
e também para encenações de
óperas e balés. Criamos várias
séries inéditas de concertos como
a série Cinema em Concerto que continua este
ano (faremos a trilha sonora do "Senhor dos
Anéis"), fizemos vários concertos
com grupos de teatro (XPTO, Cidade Muda, Cia Imago),
fizemos várias obras sinfônicas que
tinham tratamento literário, dramático,
de forma encenada. Enfim, a orquestra cumpriu na
parte de programação a sua função
de ser experimental. Fazemos também um trabalho
didático, que é a série "Pequeno
Dicionário do Instrumento", toda semana
para as crianças da rede municipal de ensino,
durante o ano todo, sempre às quintas-feiras,
às 14:00h. Tenho uma grande satisfação
em ver que 13 anos depois, a Orquestra Experimental
de Repertório continua ativa e com grande
sucesso, e esta é a prova de que o projeto
era relamente necessário.
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O
trabalho da Orquestra Experimental de Repertório
é bastante diversificado. Existe
algo que predomina neste trabalho?
Predomina sempre
a busca de realizar uma fórmula:
a soma da qualidade com a diversidade. A
nossa programação sempre se
baseou nesse binômio - qualidade e
diversidade. Qualidade está acima
de qualquer questão e a diversidade
tem que existir, uma programação
não pode ter monopólio. Porque
a orquestra sinfônica hoje está
em inúmeras manifestações
- salas de concertos, óperas, balés,
cinema, teatro, música popular. Como
as orquestras |
sinfônicas têm uma diversidade muito
grande na sua atuação, acho que uma
orquestra que tem "Experimental" no nome
tem que traduzir isto na sua atuação.
Algumas
óperas sob sua regência tiveram um
merecido destaque na mídia. "Carmen"
foi uma delas. O que você pode nos contar
a respeito deste trabalho?
"Carmen" foi uma parceria com Carla
Camuratti, com quem eu sempre quis trabalhar.
Na verdade esse trabalho começou como um
projeto cinematográfico. Deveria ser uma
ópera que incorporasse recursos cinematográficos
no palco, projeções de filmes, etc.
E por uma série de razões orçamentárias
nós não conseguimos fazer e esse
projeto foi adiado. "Carmen" se insere
também nessa série de montagens
de óperas conhecidas e que buscamos mostrar
um lado diferente, um lado novo, com cenários
ousados, transportando, às vezes, a história
para os dias atuais.
"João
e Maria" foi um sucesso de crítica
e público. Qual o segredo?
O segredo de "João e Maria"
foi: o título certo, para o público
certo, com as pessoas certas. Isso é sempre
uma busca em todos os títulos, mas em "João
e Maria" conseguimos acertar em todos os
itens. Tínhamos Fernando Anhê fazendo
cenários e figurinos, que é uma
pessoa fantasticamente talentosa para isso, tínhamos
Flávio de Souza, que é o "pai
" do Castelo RÁ-TIM-BUM dirigindo,
o título, que era para crianças,
a história, que é muito conhecida
e querida, uma música deslumbrante, um
elenco de primeiríssima qualidade e uma
orquestra tocando divinamente bem. Esse foi o
segredo. Fui percebendo que todos aqueles elementos
que haviam sido colocados juntos foram se encaixando
perfeitamente. O fato da obra ser pensada para
crianças, finalmente alguém pensar
em fazer algo para eles em termos de ópera,
o público infantil ter comparecido em massa
ao Theatro Municipal nas três temporadas.
Agora deveremos viajar com esta ópera pelo
Brasil. Esta mágica que ficamos desejando
que aconteça sempre em todas as óperas,
mas nem sempre acontece, foi o segredo de "João
e Maria". A química perfeita entre
todos os elementos. Acho que "João
e Maria" é um marco na história
moderna da ópera em São Paulo. Acabou
tornando-se um evento para todas as idades e até
hoje ouço perguntas de "Quando volta
João e Maria?". Espero que eu tenha
chance de repetir esse sucesso na minha carreira.
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