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Entrevista com Lutero Rodrigues
Janeiro/2003

Lutero Rodrigues é Coordenador Musical e Regente da Sinfonia Cultura, Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra de Câmara Theatro São Pedro, de Porto Alegre. Até o final de 2002, regeu 430 obras de 127compositores brasileiros, incluindo 97 obras em primeira audição mundial, sendo também bastante significativo o número de composições que lhe foram dedicadas. É o mais novo membro da Academia Brasileira de Música, eleito em 12 de dezembro de 2002.

Como se deu a sua indicação para a Academia Brasileira de Música?

Num dia do mês de julho deste ano, eu recebi um telefonema de amigos lá do Rio de Janeiro, que pertencem à Academia, dizendo o seguinte: "Olha, está na hora de você se candidatar". E aí eu me candidatei. Esse processo não é imediato, é um processo que demora alguns meses. Eu fiz o processo normal de quem se candidata: enviei correspondência para todos os membros da Academia e, no final da história, fui muito bem votado e estou muito feliz por isso. Eu tive uma quantidade de votos muito expressiva e fiquei feliz porque eu acho que você ser reconhecido pelos membros da Academia é um privilégio, uma coisa para poucos. Sabe, não adianta muito você ter poder, força econômica, ou o que seja, você precisa ter uma trajetória que os membros da academia considerem suficiente para votar em você. E eu acho que o que me levou a ser escolhido foi a minha trajetória com a música brasileira, é praticamente certo que tenha sido isso. E como isso é uma coisa que eu faço com o maior prazer do mundo, posso dizer que eu considero como um grande reconhecimento ao trabalho que fiz até hoje, e, ao mesmo tempo uma honra, porque já disse, é um privilégio para poucos.

Você tem uma dedicação especial à música brasileira. Como começou esse envolvimento?

Essa é uma longa história e vou contar com detalhes porque acho que temos um certo espaço. Eu comecei trabalhando como regente de coro nos anos 70, em São Paulo, e criei um coro que se chamava "Madrigal Klaus Dieter Wolff", em homenagem ao grande maestro Klaus Dieter Wolff, que foi um dos principais, senão o principal maestro de coro que nós tivemos aqui naquela época e que morreu de repente, de forma trágica. Como tive algumas aulas com o Klaus, fiquei muito impressionado pela sua proposta musical. Ele tinha pelo menos dois coros: um em Santos, o "Ars Viva" e o "Conjunto Coral de Câmara" aqui em São Paulo, mas, principalmente com o Ars Viva ele desenvolvia um trabalho grande com música contemporânea brasileira. E eu me impressionei muito com esse trabalho e imaginei que um coral que tivesse o nome dele, Klaus Dieter Wolff, deveria ter uma linha parecida à que ele tinha adotado no seu trabalho, e assim foi. Esse foi um coral bastante significativo aqui em São Paulo, chegamos a ganhar um prêmio da crítica como Melhor Coral de São Paulo, em 1980, pelo que fizemos (participamos de festivais de coros, concursos e fomos muito bem em todos eles). Era um coro que fazia um repertório muito amplo, quase todos dali liam música, muitos músicos hoje em atividade, instrumentistas, etc, iam cantar com a gente e, como todos liam música, era muito fácil você ampliar o repertório. Nós fazíamos tudo, desde a Renascença (missas de Josquin des Préz, etc), fizemos um bom trabalho em cima do romantismo alemão com motetos e canções de Brahms, de Schubert, de Schumann principalmente e demos uma ênfase muito grande no repertório brasileiro desde obras do Pe. José Maurício até compositores contemporâneos, fizemos muitas primeiras audições e outras coisas.

Bem, só que eu fazia o curso de composição e regência na USP, e tinha, então, esse enfoque da música contemporânea, que era a base que a USP nos dava, além de um pouco do passado colonial, mas desconhecia praticamente a grande parte da produção brasileira, por exemplo a música de Villa-Lobos, de Guarnieri, etc, que era uma música que não era estudada no curso de composição da

USP nessa fase, e tão pouco os românticos brasileiros que antecedem os nacionalistas. E o que aconteceu é que um pouco antes de viajar para a Europa para continuar meus estudos, eu mesmo, particularmente, resolvi fazer uma pequisa sobre Villa-Lobos. Eu mesmo, sozinho. E cheguei a fazer, numa daquelas bienais de música da USP, em uma vez que ela foi dirigida pelos próprios alunos, uma palestra sobre Villa-Lobos, em cima das minhas pesquisas, para os alunos da própria bienal. Aquilo já me abriu um certo horizonte. Pensei: "Puxa, esse Villa-Lobos era realmente muito significativo como compositor...". E fui embora para a Europa.
Estando num país distante, comecei a ter tempo para coisas que eu não tinha no Brasil, pois aqui eu trabalhava loucamente e não tinha tempo pra quase nada, muito menos pra reflexão, e passei a ter. Comecei então a refletir sobre tudo o que eu tinha vivido, todas as coisas, e algumas situações me despertaram perguntas. Uma vez fui perguntar para um professor de regência coral que nós tínhamos, que era um dos mais importantes da Alemanha, sobre obras corais de compositores da escola de Viena que eu conhecia razoavelmente bem, já que era a ênfase do curso da USP. Ele me respondeu e perguntou: "E a música brasileira?" e eu me engasguei. À exceção de Villa-Lobos, eu conhecia muito pouco... Um pouquinho de Pe. José Maurício de quem eu até levei alguns motetos para a Alemanha, mas só. Eu conhecia superficialmente e pouco. Além do mais, outras questões começaram a vir: "Bem, se eu faço o possível para falar uma outra língua da melhor maneira, porque é que a gente fala tão mal a nossa própria língua?" Questões como essa começaram a ocupar minhas reflexões e aí eu percebi que talvez eu tivesse que tomar uma outra atitude com relação a tudo isso.
Mas, como eu fui para a Europa, aproveitei tudo da melhor maneira possivel, estudei da melhor maneira que podia a música européia, que era aquilo que estava sendo oferecido. Eu estive com mestres fantásticos e voltei ao Brasil para começar de novo uma carreira de regente, dessa vez tentando a carreira de regência de orquestra mesmo... A partir daí eu quase não trabalhei mais com coro, a não ser coro e orquestra eventualmente.
Voltando ao Brasil, eu estava com a proposta de fazer uma carreira de regente, foi para isso que eu fui para a Europa estudar. E, para fazer uma carreira de regente, o que se pede no Brasil e na maioria dos países, é que você reja o repertório tradicional. E esse repertório eu estudei, eu mexi com isso. Hoje, calculando e avaliando tudo o que já fiz, vi que eu já regi cerca de 45 sinfonias do repertório tradicional. Digo sinfonias porque é o que dá a dimensão do trabalho. Logicamente que ao lado disso foram inúmeros concertos com solistas e tudo mais. Mas, pela quantidade de sinfonias é que você avalia o repertório de um regente. E então, cerca de 45 sinfonias do repertório tradicional não é pouco. Se você perguntar por aí você vai ver que realmente é um bom número. Porém há aquela velha situação... você volta para o Brasil e nem sempre tem as condições ideais de trabalho para aplicar imediatamente aquilo o que você estudou lá fora. Comecei então a trabalhar aonde me foi possível, com orquestras jovens, que são, de modo geral, tecnicamente limitadas. Neste caso, você tem que dosar o repertório com muito cuidado e tendo como primeiro objetivo não você (regente) fazer o teu repertório, mas a orquestra e suas necessidades como atividade pedagógica. Mesmo assim eu trabalhei muitos anos com eles e também com orquestra de câmara, que foi a Orquestra de Câmara de Curitiba, fazendo repertório para cordas de tudo quanto é época.

Entretanto, novamente vem a reflexão e começa a mesma situação... Nesse período eu fazia pouca música brasileira, era um período em que eu não tinha ainda redescoberto essa "coisa" da música brasileira, mas comecei a pensar em quantos dos meus colegas regentes (e eu conhecia alguns) estavam infelizes, porque se propuseram a criar no Brasil modelos europeus, de acordo com aquilo que fosse

mais próximo possível da tradição européia e as nossas condições nem sempre permitem isso. O que acontecia é que uns dois ou três conseguiam essas condições, aproximadas às da Europa e faziam seus trabalhos, mas a grande maioria ficava aí, tentando, principalmente em outros estados fora do eixo Rio-São Paulo. Alguns colegas ficavam tentando, tentando, dando murro em ponta de faca, às vezes você conseguia o apoio de um governo, fazia uma boa orquestra, de repente mudava o governo e acabava tudo. E essa coisa de você perseguir esse eterno modelo de uma orquestra européia e perfeita acaba te levando para a insatisfação e daí pra frente, quem sabe, até à desilusão completa com relação àquilo o que você faz. E nesse momento é que eu tive uma luz que me indicou que: Sim, eu poderia exercer uma atividade que teria uma função social importante, se de repente eu me voltasse para o repertório brasileiro que era uma coisa desvalorizada e que muito pouca gente mexia. E principalmente, como eu disse, ter uma função social - eu poderia ser útil aqui no Brasil, muito mais do que fazendo sinfonias de Mozart e Haydn por aí, porque de uma certa forma eu estaria também trazendo à tona muita coisa da nossa cultura que estivesse esquecida.
Eu continuo fazendo com o maior prazer todo o repertório tradicional, só que, se eu vou fazer o repertório tradicional, eu geralmente escolho as coisas de que EU gosto, as coisas que me dão prazer em fazer. Quando faço música brasileira, eu não ponho a questão do meu gosto em ação. Simplesmente ponho em primeiro lugar a necessidade de se fazer ouvir aquela música, mesmo que ela, talvez, em alguns casos, não seja assim tão boa, mas, muitas vezes, é muito melhor do que imaginamos. Porém, seja ela como for, eu procuro dar o melhor acabamento possível para que as pessoas tenham a melhor das impressões sobre aquela música, ou seja, tento valorizar ao máximo aquela música, ensaiar bem, ensaiar direito, tirar as arestas, equilibrar e tudo o mais, e deixar o julgamento a critério dos ouvintes, da posteridade. Eles é que vão dizer "Essa musica é boa", "Essa não", "Essa fica", "Essa não fica". A minha função, agora, não é escolher, é só trazer à tona.
E é essa a minha filosofia de trabalho. A partir do momento em que eu comecei a trabalhar com a Sinfonia Cultura abriu-se esse veículo maravilhoso que é essa orquestra onde a possibilidade de fazer um repertório grande, centralizado na música brasileira, é uma realidade. Nunca deixei de fazer isto nas orquestras de câmara, tanto em Curitiba quanto em Porto Alegre... a partir desse momento, em que houve essa mudança na minha vida, eu praticamente enfatizei o repertório brasileiro. Isso aconteceu no começo dos anos 90 e, a partir de então, é o que tem sido a minha prioridade - o trabalho no repertório brasileiro, volto a dizer, sem deixar de lado a boa música internacional e principalmente a música do século XX, que me atrai muito, mas, ao mesmo tempo, a música de Haydn e Mozart também me atraem muito e nos românticos Brahms principalmente. Essas são as minhas, digamos, preferências musicais.

Quais as principais dificuldades que você tem encontrado na divulgação da música nacional?

O primeiro problema em se fazer música brasileira no Brasil é o desinteresse do público. O brasileiro não aprendeu a valorizar aquilo que vem de dentro de suas próprias fronteiras. Isso varia de acordo com a localização geográfica em que você esteja. No Norte e Nordeste tocar música brasileira é encarado com uma certa naturalidade. No Centro, a coisa é mais ou menos equilibrada, e, no Sul, onde nós tivemos uma colonização estrangeira muito forte, existe uma resistência grande relacionada à música brasileira. Mas, note bem, essa resistência à música brasileira está associada também a uma outra, que é a resistência à música contemporânea, a toda e qualquer modernidade da música. O que acontece é que o público normal, a maioria das pessoas, é um público que consegue absorver mais ou menos bem uma música que não seja moderna, e que já tenha sido aceita em outros lugares no mundo. Portanto, se foi aceita em outros lugares no mundo, deve ser boa, então provavelmente podemos confiar e gastar nosso tempo para ouvir aquilo. Há uma grande insegurança, e isso é um problema que atinge os nossos músicos e até os nossos críticos. Muitas vezes você só consegue achar que aquilo é bom depois que teve aceitação em algum outro lugar no mundo. Isso aconteceu um pouco com Villa-Lobos. Ele foi questionado durante muito tempo pela sua participação no Estado Novo e eu posso dizer que, ainda estudante, peguei uma fase em que Villa-Lobos era simplesmente desconsiderado. E o que aconteceu? Messiaen, o maior compositor francês destes últimos tempos saiu e falou maravilhas sobre a música de Villa-Lobos, principalmente sua orquestração, reconhecendo até que ele havia recebido uma certa influência dele. Acho que, entre outras coisas, essa foi uma das que contribuíram para que, de repente, tudo mudasse com relação a Villa-Lobos. E as mesmas pessoas que antes combatiam Villa-Lobos, de uma hora para outra passaram a aceitá-lo como compositor. Então, essa nossa insegurança, precisar do aval de alguém para poder depois se sentir mais seguro e ter sua própria opinião, é um problema muito sério. E isso tem decorrências.

Voltando à questão do público, que é também parte de todo esse pensamento, nós recebemos muito bem tudo aquilo que vem de fora, no Brasil. As nossas coisas nós vemos com uma certa resistência. Entretanto, a música popular brasileira, por exemplo, é uma música que conseguiu chegar até o público. Porém, se avaliarmos bem, veremos que é diferente. A música

popular que chega até o grande público, na verdade, é, muitas vezes, uma música de consumo, não é a boa música popular. E a música de raízes, a música folclórica, esse tipo de coisa, é algo que praticamente está esquecido, ou então, restrita a certos guetos, pequenos círculos culturais, quase no esquecimento. No fundo, essa questão enfrentada pela chamada música erudita brasileira, também na música popular existe. Quando você faz uma música popular, principalmente instrumental, de melhor qualidade, é provável que você não vá conseguir um grande sucesso. No nosso caso, da música erudita brasileira, a coisa se agrava se estiver associada com elementos de uma linguagem mais contemporânea. Aí então há um afastamento natural do público, e isto é uma coisa muito cruel com os nossos compositores (que são tantos) e criadores que temos por aqui. Atualmente temos no Brasil uma quantidade enorme de compositores, e a maioria deles opta por uma linguagem contemporânea. Agora, se o público se recusa sistematicamente a ouvir essa música, por quê eles estão compondo? Nós que regemos, e que programamos orquestras, posso dizer, somos pressionado muitas vezes, quando fazemos uma quantidade maior de música contemporânea, principalmente a brasileira. Somos pressionados a dosar isso, a evitar fazer muita música brasileira contemporânea. Existe uma pressão dos organismos mantenedores das orquestras para que os regentes evitem fazer esse trabalho. Eu tenho lutado duramente para conseguir, e, mesmo atendendo aos apelos das direções, tenho conseguido fazer uma quantidade maior de música contemporânea brasileira, porque eu considero isso uma prioridade na minha vida. Mas nós temos essa grande dificuldade. Bem, falei muito sobre UMA das dificuldades, mas há outras. A música brasileira, geralmente está manuscrita. Se nós pegarmos todos os nossos grandes compositores do século XX, a maioria das obras desses compositores (compositores esses que viveram a até muito pouco tempo) está manuscrita e nem sempre bem copiada.O que acontece é o seguinte: quando você se propõe a reger uma obra dessas, você fatalmente tem que gastar um tempo grande fazendo correções e revisões das partes de orquestra das próprias partituras. Você tem que fazer isso, senão o que acontece é que muito tempo será perdido na frente das orquestras fazendo correções. É uma luta. Isso não é algo cômodo para se fazer, então, poucos são os regentes (quando não têm todo um staff por trás para fazer as correções, edições e tudo o mais) que se aventuram a fazer esse tipo de repertório, porque muitas vezes isso significa ter problemas com a orquestra, levar um tempo de ensaio grande corrigindo coisas, enfrentar o mau-humor de muita gente, e assim por diante.
Com a vinda do computador, a maioria dos compositores mais jovens brasileiros têm editado as suas músicas nos computadores. Isso facilita muito, só que aí as orquestras precisariam querer tocar esse tipo de música, para perceber que os materiais não são ruins, são materiais já melhores, não são manuscritos, e aí a coisa poderia funcionar melhor. Há setores da vida cultural nacional que têm se preocupado em resgatar algumas coisas desse repertório mais antigo, alguns projetos tem sido feitos para resgate e edição destas obras brasileiras e, acho que, num prazo de 20 anos, talvez, nós já tenhamos a grande parte do nosso repertório editado.
O problema também existe na questão da formação dos músicos. Esse, talvez, seja o mais grave de todos, porque o público, como é leigo, não gostar de uma música contemporânea é quase que uma reação esperada em qualquer lugar do mundo. Agora, você enfrentar resistência com os seus próprios músicos, isso já é uma coisa muito preocupante. O que eu tenho descoberto ao longo da minha atividade nessa direção é que a formação dos músicos instrumentistas de orquestra, é diretamente ligada a um pensamento muito tradicional por parte dos próprios professores, que valorizam sobretudo o repertório tradicional e não enfatizam em nada o repertório contemporâneo, e não apenas o brasileiro. Um contemporâneo, digamos, até Stravinsky sim, é enfatizado, porque é difícil, tem desafios, etc. Mas a partir daí, e principalmente brasileiro, não tem muito valor. Eu já vivenciei, portanto posso dizer, situações em que músicos relativamente jovens me perguntavam por quê eles iriam dar valor, por ques ele iriam se ocupar com aquele repertório brasileiro? Se fosse música tradicional, aquilo ficaria no seu repertório, mas, a música brasileira, seria tocada uma vez, depois não sei quando, então não era interessante para eles como repertório. Portanto, a música tradicional era vista com determinado interesse, mas a música brasileira, não. Os professores também os dirigiam para esse lado, dizendo que o que realmente valia era trabalhar e tocar o repertório tradicional e não o repertório brasileiro, pois este não importa. O produto final dessa coisa toda, de público, de músicos, das dificuldades, digamos, intrínsecas à realização das obras, dificuldades materiais, essa coisa da filosofia dos próprios músicos, o aprendizado todo que eles têm, as próprias pressões dos diretores dos organismos culturais, se somarmos tudo isso, o que acontece é que, para fazer música brasileira, principalmente contemporânea, você tem, durante a maior parte do tempo, que lutar contra alguma coisa. Você se indispõe com músicos,

com administradores, com o público muitas vezes, você se indispõe com uma série de pessoas, porém, é uma das coisas mais compensadoras que existe quando você, enfim, consegue resultados e, devagarzinho, você consegue mudar um pouco a mentalidade das pessoas envolvidas em todo o processo em vários níveis, desde os administradores até os próprios músicos e assim por diante.

Os músicos não perceberam ainda que qualquer coisa em prol da música brasileira é favorável a eles. Qualquer coisa que melhoremos com relação à música brasileira vai melhorar para o músico brasileiro, porque o intérprete que será sempre considerado como aquele que conhece aquele tipo de coisa é o brasileiro. Portanto, não estamos olhando bem as coisas. Mas isto,como eu disse, têm mudado um pouco. Já há muito progresso com relação a cada um dos problemas que eu coloquei com relação a essas dificuldades.

 

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