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Sob regência do competente Osvaldo
Ferreira, a Orquestra Sinfônica da
XXII Oficina de Música de Curitiba
interpretou brilhantemente duas obras do
compositor russo Piotr Tchaikovsky (1840-1893),
a "Sinfonia nº 5", somente
com a orquestra, e um extrato da ópera
"Eugene Oneguim", com a participação
do Coro da Oficina, formado por 50 integrantes,
orientados pelo maestro Samuel Kerr. O Coro
teve cinco dias para preparar a Valsa do
II Ato da ópera de Tchaikovsky –
uma opção do maestro Osvaldo
Ferreira acolhida com entusiasmo por Samuel
Kerr. Osvaldo Ferreira, que pelo |
terceiro ano consecutivo participa do festival curitibano,
é de Portugal, diretor artístico do
Festival Internacional de Música de Santa
Maria da Feira e Diretor Musical da Orquestra de
Jovens da mesma cidade. Depois de freqüentar
as melhores academias de regência musical,
em Londres, Chicago, S. Petersburgo e Berlim, e
receber prêmios em concursos internacionais,
Osvaldo Ferreira passou a assistente de Claudio
Abbado na Orquestra Filarmônica de Berlim.
Como maestro convidado, vai dirigir na próxima
temporada uma série de concertos na Rússia,
Itália, Romênia, Estados Unidos e Brasil.
Em Portugal irá liderar a Orquestra Metropolitana
de Lisboa, a Orquestra Nacional do Porto e a Orquestra
Gulbenkian.
Como foi o início de sua carreira em Portugal?
Iniciei a minha carreira em Portugal como violinista
e músico de câmara. Fui primeiro violino
da Orquestra Nacional do Porto com 19 anos. Fiz
também recitais e muita música de
câmara. Rapidamente descobri que era ainda
muito cedo para deixar de estudar e evoluir técnica
e musicalmente. Passei então, por várias
escolas e países, Londres, Chicago, S. Petersburgo
e finalmente Berlim. Em Chicago iniciei o meu mestrado
em regência e nessa mesma cidade iniciei a
carreira como diretor com a North Shore Chamber
Orchestra, daí eu não poder afirmar
que iniciei a minha carreira em Portugal no domínio
da direção de orquestra. Devo entretanto
admitir (como acontece em todos os lugares e Portugal
não é exceção) que após
os primeiros sucessos fora de Portugal fui logo
contratado por todas as orquestras, Companhia de
Bailado, Operas, etc no meu país.
E como surgiu o convite para trabalhar com Claudio
Abbado na Orquestra Filarmônica de Berlim?
Como é seu trabalho com este grupo hoje?
| A
oportunidade de trabalhar com Abbado em
Berlim, surgiu através da grande
pianista portuguesa Maria João Pires
que estabeleceu essa ponte entre nós,
por esse fato ficarei sempre muito agradecido.
Abbado recebeu-me em Berlim e foi uma experiência
muito positiva como qualquer pessoa pode
calcular e que durou até ao momento
em que o maestro se reformou. Mantenho contato
com os elementos da |

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orquestra e temos trabalhado em conjunto. Recentemente
Stefan Dohr foi solista em concertos por mim regidos
e alguns dos músicos da Philharmonie são
professores e atuam com regularidade no "meu"
festival em Portugal.
Você
veio ao Brasil passar seus conhecimentos aos alunos
do curso de Regência Orquestral pelo terceiro
ano consecutivo. Como você vê esse
trabalho desenvolvido pela Oficina de Música
de Curitiba?
Falar da minha experiência enquanto professor
de regência na Oficina de Música é
algo que me dá um prazer e um carinho especial.
A minha 1ª oficina
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em 2002, foi igualmente a minha 1ª
experiência pedagógica e eu
recordo o fato de pensar que para ter sucesso
só teria que usar a "fórmula"
do meu mestre em S. Petersburgo - Ilya Mussin
- e que o resto iria dar certo. Lógico
que não vou falar agora de Ilya Mussin,
pois seria necessário outra entrevista,
ele foi o professor de quase todos os grandes
regentes da atualidade, Naeme Jarvi, Mariss
Ianssons, |
Valeri Gergiev, Yuri Temirkanov, Symon Bishkov,
etc, etc. Adoro esse trabalho com os jovens regentes
Brasileiros, existe muito talento desse lado do
Atlântico, mas seria desejável que
esse trabalho pudesse ser complementado ao longo
do ano, uma vez por temporada é muito pouco
para se desenvolver um trabalho profundo. Eu espero
que o meu objetivo principal esteja a ser conseguido
e que é o de motivar fortemente esses jovens
e aumentar a auto-confiança "em cima
do podium". Se o meu trabalho tem sido bom
ou não, deverão ser eles a responder.
Seu
último concerto na Oficina de Música
de Curitiba foi arrebatador. Você conseguiu
extrair um Tchaikovsky sensacional de uma orquestra
montada no festival, com apenas dez dias de ensaio.
Em outros anos seus concertos também foram
muito aclamados pelo público e pela crítica.
Qual o segredo para este sucesso? Como fazer um
trabalho desenvolvido em tão pouco tempo
ter uma sonoridade tão marcante?
Sim, devo concordar que foi um concerto extraordinário,
aliás, como aconteceu com a Sagração
da Primavera no ano que passou, ou ainda com a 4ª
sinfonia de Mahler em 2002. Daria muito jeito para
mim ficar com o crédito todo desse trabalho
e aproveitar para dizer que tenho uma formula mágica
mas a realidade é que devemos ser honestos
perante a música e perante a vida em geral,
por isso vamos colocar as coisas no devido lugar.
Em 1º lugar, existem no Brasil, músicos
e professores de "primeiríssimo"
nível mundial e existe muito talento em muitos
dos jovens músicos que participam da Oficina,
depois temos que pensar que esse é um momento
especial, em que todos dão o seu melhor,
| existe
uma atmosfera e um espírito
de entreajuda diferente. Muitos dos jovens
com quem trabalhei na oficina têm
já um bom treinamento orquestral,
em geral o único aspecto negativo
é o disciplinar. Quero dizer com
disciplinar, terem um cuidado mais rigoroso
com os horários a cumprir, planificação
etc, e na orquestra serem mais rigorosos
com tudo o que é PORMENOR - ritmo,
afinação, etc -
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pois o detalhe é que vai fazer a diferença
entre o bom e o ótimo. Finalmente, não
vou negar que tenho um cuidado muito especial com
a sonoridade, sou até quase obcecado com
isso. Isso é fundamental para mim pois é
isso que marca a diferença, por outras palavras
o meu som é a minha personalidade e eu gosto
de personalidade forte e vincada, como em tudo na
vida, não fico por menos.
Fale
sobre o seu trabalho como diretor artístico
do Festival Internacional de Música de
Santa Maria da Feira como diretor musical da Orquestra
de Jovens desta cidade.
Em Portugal desenvolvo bastantes atividades desde
o Festival Internacional de Santa Maria da Feira
até a Orquestra Sinfônica da Póvoa
de Varzim com a qual vou editar ainda este ano o
3º CD com obras de autores contemporâneos.
Paralelamente, tenho a responsabilidade de preparar
os concertos da Orquestra Sinfônica da Escola
Superior de Artes de Castelo Branco, local onde
lecionarei os mestrados e doutorados em regência
dentro de 2 anos e onde iniciarei um estudio de
ópera no próximo ano. Falar de todos
estes projetos agora, seria moroso mas talvez fosse
interessante para os leitores Brasileiros que no
futuro fosse feito por esta revista um artigo sobre
a música em Portugal e sobre as oportunidades
para os músicos brasileiros apresentarem
projetos. Eu em Portugal e o Alex Klein no Brasil,
temos feito um esforço enorme para aproximar
os dois países através de intercâmbio
de alunos, professores, compositores, etc, não
só ao nível da nossa responsabilidade
enquanto diretores de festivais mas também
ao nível pessoal. Teria que haver mais
apoio institucional, todos ficariam a ganhar com
mais intercâmbio entre os dois países.
Como
serão seus próximos trabalhos em
Portugal? Você atuará em diversos
países como convidado. Conte-nos um pouco
mais a respeito disso.
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As próximas temporadas estão
muito carregadas, desde projetos (sobretudo)
em Portugal, Itália, USA, Africa
do Sul, etc. Terei que gravar este ano 2
Cds para a editora Numerica, tenho 4 obras
para fazer em estréia mundial. Concertos
com Alex Klein, Roger Muraro, Stefan Dohr,
Daniel
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Rowland, Reinhold Friedrich, Ivan Monighetti, Vladimir
Viardo, Pedro Carneiro, entre outros.
E
o Brasil, quando terá oportunidade de assistí-lo?
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Tenho várias propostas do Brasil para este ano,
só dois projetos estão ainda
acertados em definitivo (um na area pedagógica),
mas prefiro que sejam as próprias
entidades a divulgar.
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