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Carioca nascido em 1975, iniciou seus estudos
musicais aos 5 anos de idade com seu pai,
o contrabaixista Sandrino Santoro. No Brasil,
recebeu orientação dos professores
Eduardo Pereira, Paulo Bosisio e Frederick
Stephany. Aos 18 anos, obteve o 1º
lugar no V Concurso Nacional de Cordas de
Juiz de Fora (MG) e torna-se violista da
Orquestra Sinfônica Nacional. É
Bacharel em Viola pela Escola de Música
da UFRJ com dignidade máxima “Summa
Cum Laude.” Já se apresentou
como recitalista e concertista nas cidades
do Rio de Janeiro, Niterói, Teresópolis,
Brasília, Recife, New Haven (EUA),
Boston, entre outras. Como solista, já
se apresentou |
à frente da Orquestra Sinfônica Nacional,
Orquestra de Câmara Jovem do Brasil e Orquestra
de Câmara de Pernambuco. Como camarista, é
integrante do Quarteto Continental e Quarteto Santoro
(cordas). Por unanimidade, recebeu da Academia Brasileira
de Letras o prêmio “Personalidade Cultural
do Ano de 1995.” Em 1997 e 1998, integrou-se
a Jeunesses Musicales World Orchestra, apresentando-se
na Suíça, Alemanha, Holanda e Israel,
sob direção dos maestros Kurt Masur,
Yuri Temirkanov, Sir Neville Mariner, entre outros.
Ganhador de uma bolsa de estudos completa da CAPES/MEC,
Savio conquistou o título de Mestre em Viola
pela Yale University (EUA) em 2000, sob orientação
do Prof. Jesse Levine. Novamente premiado como bolsista
da CAPES/MEC, atualmente cursa o Doutorado em Viola
na Boston University, com orientação
da Profa. Michelle LaCourse. Já se apresentou
em master classes de renomados violistas e conjuntos
internacionais, como Karen Tuttle, Kim Kashkashian,
Carol Rodland, Tokyo String Quartet, Nevky Quartet,
Muir String Quartet, etc. Recentemente, conquistou
o primeiro prêmio na “Showpiece String
Competition,” promovida pela Boston University.
É professor de viola do Conservatório
Brasileiro de Música e já ministrou
master classes no Conservatório Pernambucano
de Música (Recife) e no Conservatório
Carlos Gomes da Universidade Estadual do Pará
(Belém).
Você começou a estudar com seu pai,
o contrabaixista Sandrino Santoro. Como se deu
sua opção pela viola?
Meu pai foi a pessoa que realmente me introduziu
ao mundo da música. Antes mesmo de saber
ler e escrever, ele já me ensinava as notas
e os ritmos musicais. Fazíamos solfejos e
leitura métrica juntos. Aos 5 anos, mesmo
sendo contrabaixista, ele me passou algumas noções
de flauta doce, na qual eu já passava a articular
algumas pequenas e simples melodias. Meu pai, observando
o meu interesse pela música, nos meus 6 anos,
contratou uma professora particular de piano. Já
com 7 anos, apresentava-me em recitais de alunos.
Mesmo tendo me decidido pela viola posteriormente,
nunca abandonei este instrumento, mantendo a sua
prática diária até hoje.
Apesar do meu entusiasmo pelo piano, eu gostaria
muito de aprender um instrumento de cordas. Sempre
adorava ouvir meu pai e meus irmãos violoncelistas
Paulo e Ricardo pela casa. Acredito que por volta
dos 11 anos, foi quando eu ouvi o som de uma viola
pela primeira vez. Foi amor à primeira vista.
Para ser mais específico, a bela sonoridade
da carda dó (a mais grave) me fez ter a certeza
de que era aquele instrumento que eu queria para
toda a minha vida. Nunca imaginei que pudesse haver
um instrumento com um som tão doce e aveludado.
Talvez uma sonoridade um tanto quanto melancólica
e que ao mesmo tempo não tinha aquele registro
agudo do violino e nem tão grave quanto do
cello e do contrabaixo. A minha paixão pela
viola foi tanta que nunca queria parar de estudar.
Muitas das vezes entrava pela madrugada, mesmo sabendo
que teria acordar às 6 da manhã do
dia seguinte para ir ao colégio.
Fazer parte da Orquestra Sinfônica Nacional
com apenas 18 anos deve ter sido um grande passo
na sua carreira. Conte-nos um pouco a respeito
disso.
| Com
18 anos, muita acontecimentos vieram quase
que simultaneamente: entrei no curso de
graduação em viola da UFRJ,
fui primeiro lugar no Concurso de Cordas
de Juiz de Fora e fiquei em segundo lugar
no concurso público federal para
violista da Orquestra Sinfônica Nacional.
Eu era o caçula da Orquestra e passei
a sentir uma grande responsabilidade por
estar numa |

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orquestra profissional, mesmo tendo quase nenhuma
experiência orquestral e ao mesmo tempo ser
funcionário público. A Sinfônica
Nacional foi o primeiro grande nome a ser incluso
no meu curriculum e me deu uma ótima visão
da música sinfônica de vários
estilos, além de ter me proporcionado uma
excelente prática de orquestra da qual usufruo
permanentemente.
A
sua experiência no exterior é bastante
interessante. Você acha que é fundamental
para o musicista estudar fora do Brasil? Por quê?
Acho extremamente importante qualquer músico
estudar fora de seu país, mesmo ele já
tendo nascido e criado num grande centro musical,
como Nova York, Berlim ou Paris. Em primeiro lugar,
estudar em outro país significa vivenciar
uma outra cultura totalmente diferente da que você
convive. Se você vive apenas no seu país,
você não tem uma idéia exata
do que acontece fora do seu território, mesmo
com auxílio da internet, jornais e televisão.
Privando-se de estar em contato direto com outra
cultura, você fica apenas limitado a “verdade”
que é cercada nos quilômetros quadrados
em que você se situa. Por que não conhecer,
usufruir ou mesmo questionar outras “verdades”
que estão longe do nosso alcance? Além
do mais, estar no exterior é também
uma experiência de vida pessoal. Passando
por certas dificuldades como frio, idioma, e a mais
difícil que é a saudade, vejo que
sempre que volto ao Brasil, passo a encarar certos
problemas aqui com muito mais facilidade. Ao mesmo
tempo passei a reconhecer e valorizar várias
virtudes brasileiras que só há no
nosso país. No meu caso, tive a felicidade
de ter feito o Mestrado na Yale University e agora
ingressar no terceiro ano de Doutorado na Boston
University. Em ambas as escolas, os professores
de viola são excelentes, com carreiras didática
e de solista incríveis. Meus dois mestres
nestas instituições foram professores
que confiaram e decidiram investir pesado em mim.
Devo muito a eles pela minha atual maneira de tocar.
Foi sob orientação da minha atual
professora que conquistei o primeiro lugar na acirrada
“Showpiece String Competition”, promovida
pela Boston University. Além disso, desenvolvi
extenso trabalho camerístico, sendo orientado
durante todo o Mestrado pelo Tokyo String Quartet
e atualmente pelo Muir String Quartet, além
de ter tocado em várias masterclasses de
renomados professores, como a violista KarenTuttle.
Paralelamente, tive e tenho aulas sobre a história
da música e outros assuntos acadêmicos
que ampliaram a minha cabeça e me fizeram
ver o quanto a música é extremamente
grande e maravilhosa, desde os seus cantos gregorianos
da Idade Média aos compositores ainda vivos
como Penderecki e Ligetti. Além do mais,
estudar em grandes universidades como estas, significa
estar em contato com bibliotecas fantásticas
onde encontram-se quaisquer livros, partituras e
gravações que você imaginar.
Devo citar também que morar em Boston me
permite assistir a excelentes concertos com freqüência,
como os da Boston Symphony Orchestra. É impressionante
a quantidade de concertos de altíssimo nível
que acontece nesta cidade. Seguramente, assistir
a todos esses concertos aumenta o potencial e conhecimento
de qualquer músico.
É claro que não poderia deixar de
registrar o meu agradecimento a CAPES-MEC por ter
me agraciado com bolsas completas para realizar
tanto o mestrado quanto o doutorado. Infelizmente,
esses cursos são caríssimos e sem
o apoio governamental do Brasil seria impossível
realizá-los.
Como
é seu trabalho no Conservatório
Brasileiro de Música ?
Ser professor a nível universitário
também era uma das minhas principais ambições.
Eu adoro ensinar, passar pra frente tudo que aprendo.
Sempre tive o pensamento de que seria um egoísmo
da minha parte absorver tanto conhecimento lá
fora (e no Brasil também) e guardar tudo
pra mim. Acho que isso eu herdei do meu pai, que
foi professor de contrabaixo da UFRJ por 25 anos.
Um ano após o término do Mestrado
na Yale University, fui contratado pelo Conservatório
Brasileiro de Música para ser professor do
Curso de Graduação em Viola. O Conservatório
foi uma ótima experiência para mim,
pois foi meu primeiro cargo como professor efetivo
de uma escola de música. Infelizmente fiquei
pouco tempo, pois um ano depois parti novamente
para os EUA para iniciar o doutorado.
Como
você descobriu o trabalho da compositora
inglesa Rebecca Clarke (1886-1979)?
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É uma pena que uma compositora de
uma música tão rica, venha
ter sido descoberta mundialmente tão
recentemente. A Rebecca Clarke tinha paixão
por compor, mas infelizmente nas primeiras
décadas do século (período
em que mais compôs), por ser uma compositora
e não um compositor, sua obra foi
sempre renegada. Isto a desestimulava e
ela praticamente abandonou a composição.
Quando violistas puderam redescobrir a sua
obra nas últimas duas décadas,
a sua família exigia muito dinheiro
para
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que ela pudesse ser tocada em público e sua
partitura da Sonata para viola e piano, por exemplo,
custava caríssima. Mais uma vez esta compositora
ficou no obscuro. Apenas há pouquíssimos
anos, a família abdicou do direito de cobrar
pelas performances e temos edições
muito mais baratas desta obra. Atualmente, ela já
é extremamente divulgada nos Estados Unidos
e Europa, com diversas gravações.
Esta Sonata é uma obra-prima, uma das peças
mais belas que já toquei! É extremamente
romântica e incorpora vários elementos
de Debussy e Stravinsky. Coloco-a lado a lado em
qualidade e expressividade com outras obras famosas
para o instrumento, como as Sonatas para viola e
piano de Brahms e Hindemith. Ela é hoje peça
obrigatória no repertório violístico.
Você
veio ao Brasil passar "Férias".
Como foram seus concertos aqui?
Como a minha grande paixão é fazer
música, acredito que estas estão sendo
uma das minhas melhores férias. Sempre que
estou no Brasil, apresento-me em duo com a excelente
pianista Tamara Ujakova. Neste mês já
realizamos dois recitais no Rio de Janeiro. O primeiro
foi no dia 4 de maio no Espaço FINEP, em
que fizemos a primeira audição da
Sonata da Rebecca Clarke no Rio. Tocamos também
a Toccata do Prof. Ricardo Tacuchian, a Sonata em
Sol menor de Bach e o Après un Rêve,
de Fauré.
No dia 14, o Quarteto Santoro, grupo formado por
mim, meus irmãos (cellos) e meu pai (contrabaixo),
fez um recital na Casa Thomas Jefferson, em Brasília.
Neste concerto, mesclamos vários arranjos
de música erudita e popular para esta formação
sui generis e peças de compositores brasileiros
que escreveram especialmente para nós.
| No
dia 19, eu e a Tamara fizemos o segundo
recital no Rio, desta vez no Museu da República.
Além de reapresentarmos o Bach e
a Rebecca Clarke, tocamos a Brasiliana do
compositor catarinense Edino Krieger, e
Beau Soir de Debussy. Acredite se quiser,
no mesmo dia 19 (à noite), com o
Quarteto Santoro fiz um outro recital no
Iate Clube do Rio de Janeiro.
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Com muita satisfação, esses quatro
concertos estavam completamente lotados e a recepção
do público foi extremamente calorosa.
É muito bom saber que todo esse esforço
de anos de estudo no exterior e no Brasil estejam
sendo recompensados pelo entusiasmo das platéias.
Como
será o seu trabalho do XVII Festival Internacional
de Música do Pará?
É com muito prazer que fui convidado novamente
para participar deste Festival em Belém.
Este festival acontece todo ano na primeira semana
de junho, em que são apresentados vários
concertos de música de câmara e sinfônica
diariamente. Vários professores são
convidados para dar masterclasses. Neste festival
estarei participando como violista da Orquestra
do Festival, que tocará a grandiosa cantata
"Carmina Burana" de Carl Orff e darei
dois dias de masterclasses para alunos de violino
e viola no Conservatório Carlos Gomes.
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Quando
teremos a honra de assistí-lo?
Logo após o Festival do Pará
retornarei a Boston. Estarei novamente no
Brasil em dezembro para as festas de fim
de ano. Neste mês farei a Brasiliana
(versão original para viola e cordas)
com a Orquestra do Conservatório
Pernambucano de Música, em Recife.
No mais, estou aguardando confirmações
de datas para apresentações
que farei nas próximas férias
de verão americano em vários
estados brasileiros no próximo ano.
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