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Entrevista com Sebastião Teixeira
Outubro/2005

Sebastião Teixeira foi duas vezes premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) na categoria de melhor cantor erudito.
O barítono teve seu primeiro contato com a música através de seu pai, mestre de bandas no Interior de Minas. Iniciou seus estudos de canto lírico em Belo Horizonte: com Marcos Thadeu, e Geraldo Chagas e em São Paulo: com Carmo Barbosa, Helly-Anne Caram, Luiz Tenaglia e Isabel Maresca e atualmente faz aprimoramento técnico vocal com a professora Isabel Maresca. Cantou ao lado de artistas como Elena Obraztsova, Leona Mitchell, Lando Bartolini e Arthur Thompson entre outros. Faz parte do elenco de solistas da Sociedade Brasileira de Ópera, e entre os maestros

que o regeram destacam-se Eugene Kohn, Isaac Karabtchevsky, Jamil Maluf, John Neschling, Mário Valério Zaccaro, Roberto Tibiriçá, Roberto Minczuk, Túlio Collaccioppo, Naomi, Munakata, Ira Levin, Osvaldo Colarusso, Luiz Fernando Malheiro, Lutero Rodrigues, Aylton Escobar, Flávio Florence, Alessandro Sangiorgi, Lionel Friend, Amílio de César, Sérgio Magnani, Afrânio Lacerda, Fábio de Oliveira, Matheus Araújo, Paulo Buchala e Roberto Farias.


Guia Erudito: Conte-nos como foi o início de sua careira.

Sebastião Teixeira: Meu primeiro papel foi o "Comissário Imperial", no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, sob regência do grande Sérgio Magnani, ao lado de Eduardo Álvarez, Céline Imbèrt, Benito Maresca e Andrea Ramus, entre outros. Mas o que me fez fazer estudar canto foi quando estava como coralista convidado, nas montagens de "Cavalleria Rusticana", com Ida Mícollis, Fernando Teixeira e depois "Carmen", com Rio Novello e o tenor Zaccarias Marques, além do meu primeiro professor de canto Marcos Tadeu, ainda em Belo Horizonte. Paralelamente já cantava no Ars Nova, coral UFMG, tendo participado de todos festivais na América do Sul e Europa.
Depois fiz "Alfio" e "Tiradentes" em Belo Horizonte.
Em 1990, fiz audição para o Coral Paulistano, eu e minha esposa à época fomos admitidos no Coral Lírico.
Em 1992, interpretei "Colombo", sob regência de Jamil Maluf e logo após, "Fígaro" no "Barbeiro de Sevilha" que viria a ser repetido em Curitiba, todos com o maior sucesso!

Em 1993 participei da ópera "Italiana in Algeri" interpretando "Tadeo", sob regência de Alessandro Sangiorgi, que também regeu "Pedro Malazarte, este último com direção de William Pereira.
Logo depois vieram "Candide", de Bernstein, pelo SESC, com direção de Reinaldo Callegari, onde eu interpretava o "Governador", sendo que o maestro queria um barítono que tivesse o Si bemol. E lá se foram oito récitas, aproximadamente. Depois, interpretei "Dr Malatesta" em Santo André, ao lado de Fernando Portari, Sandro

Christopher e Maria Thereza Mercadante, em Don Pasquale. A regência foi de Flávio Florence e a direção de Walter Neiva. Cantamos também no Memorial da América Latina e no Auditório do SESI. Interpretei Schaunard em Curitiba com Cláudia Riccitelli, Sandro Christopher, Fernando Portari, Mônica Martins e Peppes do Valle. Um marco na minha vida, com direção do grande Marcelo Marchioro e regência de Osvaldo Colarusso.
Depois disso, fiz "La Bohème" em Belo Horizonte sob regência do Maestro Afrânio Lacerda, cantando "Marcelo", ao lado de Sílvia Klein, Patricia Morandini, Marcos Tadeu e Amin Feres. Em 1995, participei de "Os Pescadores de Pérolas", sob regência de Jamil Maluf, ao lado de Fernando Portari, José Gallisa e Cláudia Riccitelli, gravado pela TV Cultura e que me rendeu o prêmio APCA de melhor cantor erudito do ano. E assim foi...


G.E.: No mundo da ópera, quais foram os papéis mais prazerosos que você já interpretou?

S.T.: Os papéis mais prazerosos foram Zurga (Os Pescadores de Pérolas), Iberê (Lo Schiavo), Rigoletto (Rigoletto) e Fígaro (O Barbeiro de Sevilha). Eu me apaixono pelos papéis que interpreto. Mas o Iberê aconteceu num momento que me apaixonei por uma bailarina da produção de "Lo Schiavo" e foi muito bom para o meu personagem esta experiência.


G.E.: Cada montagem de ópera é uma história. Existe algum fato curioso ou engraçado que marcou sua carreira?

S.T.: No "Pedro Malazarte" tem um momento em que chega o "Alamão" (na época interpretado pelo Carlos Slinvski) e nesta hora eu tinha que subir numa espécie de candeeiro, para me esconder do "Alamão". Só que os Maquinistas demoraram a descer o aparelho, e isso quase atrapalhou a música... Na época

o pessoal da Orquestra Sinfônica Municipal estava boicotando a montagem, tocando piano o tempo todo, reivindicando melhores salários.
A outra situação foi durante a mesma ópera, só que numa montagem em Belo Horizonte, sob regência de Achille Picchi e direção de Walter Neiva. Eu contracenava com Benito Maresca e não conseguia parar de rir durante a minha ária, pois ele era muito engraçado, nos divertimos muito.


G.E.: Você já interpretou com maestria diversos papéis de Carlos Gomes. O que acha deste grande compositor e de sua obra?



S.T.:
Carlos Gomes é o nosso grande injustiçado e, aos poucos, tentativas tímidas vêm trazendo a música dele para o destaque que merece. Podemos observar as gravações da São Paulo ImagemData que fez várias montagens no exterior e trouxe algumas montagens para cá. Devo ressaltar a coragem de Fernando Bicudo em fazer uma tournée com "Lo Sciavo" por seis capitais, quando tive a honra de representar "Iberê" por dez récitas, com muito sucesso.


G.E.: E como foi protagonizar o "Anjo Negro" de João Guilherme Ripper?

S.T.: O Anjo Negro foi difícil de fazer, pois o texto era muito pesado e à época eu estava com um bebê de seis meses (pai pela sexta vez...). Não fosse o talento e

dedicação do Maestro Abel Rocha e a Capacidade do André Heller seria quase impossível concretizar tal feito, pois a música (muito bem escrita, por sinal) vinha quase que diariamente para aprendermos e decorarmos. O compositor João Guilherme Ripper enfeitou um dos textos mais difíceis de Nelson Rodrigues. Não foi fácil. Eu me sentia muito mal no início e até decolar o personagem foi fogo.


G.E.: E as suas andanças? Quando poderemos assistí-lo?


S.T.:
Meus próximos compromissos são com a Orquestra Acadêmica de São Paulo, sob regência de Luciano Camargo
(O Messias, de Handel), "Candide" de Bernstein, no Theatro Municipal de São Paulo e "Salvator Rosa", sob regência do Maestro Fábio de Oliveira e direção Cênica de Walter Neiva, no Theatro São Pedro, em Novembro.


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