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Homenagem a Tito Gobbi
Outubro/2004

Acompanhando o resto do mundo, o Guia Erudito não poderia deixar de prestar uma homenagem aos 20 anos de morte do grande barítono Tito Gobbi. Dentre as comemorações feitas em São Paulo, devemos destacar as duas Vesperais Líricas promovidas pelo Theatro Municipal de São Paulo, onde foi convidado o não menos importante barítono Rio Novello para interpretar dois grandes papéis da carreira de Gobbi: Falstaff e Germont (La Traviata). Foram apresentações singulares, que contaram inclusive com a presença de familiares de Gobbi na platéia, que aplaudiu entusiasticamente a memorável performance de Rio Novello nas duas apresentações.



Tito Gobbi nasceu em Bassano del Grappa em 24 de outubro de 1913. Enquanto estudava Direito na Università di Padova, foi descoberto por um musicista amigo de sua família que sugeriu que ele estudasse canto lírico. Assim, em 1932 ele se transfere a Roma mara estudar com o Maestro Giulio Crimi, célebre tenor siciliano.

Em 1936 vence o Concorso Internazionale di Canto em Vienna e uma bolsa de estudos no Teatro alla Scala. No ano seguinte debuta no Teatro Adriano di Roma como Germont na ópera "La Traviata".

Chamado ao Teatro dell’Opera di Roma pelo maestro Tullio Serafin, cantou sob sua regência por diversas temporadas, interpretando uma vasta gama de papéis. Em 1942, sempre sob a regência de Serafin, alcançou um sucesso memorável no papel principal na ópera Wozzeck, de Alban Berg.

Em 1947 canta em Estocolmo, iniciando a longa carreira internacional que o levará aos maiores teatros de ópera do mundo. Debuta nos Estados Unidos no San Francisco Opera House em 1948 e em Londres no Covent Garden em 1950.


Os teatros nos quais apareceu mais frequentemente e interpretou seu mais célebres personagens foram o Covent Garden, o Chicago Civic Opera e a Opera di Roma, foi presente com muita frequência no alla Scala, no Met, no Operà de Paris e no Staatsoper de Vienna.

Célebre intérprete Verdiano e Pucciniano (Rigoletto, Otello, Falstaff, Simon Boccanegra, Don Carlo, Tosca, Gianni schicchi, Tabarro, só para citar algumas óperas) mas também um aplaudido Figaro (Barbiere di Siviglia - Rossini) e Don Giovanni, Gobbi teve em seu repertório mais de 100 títulos.

Sua visão e experiência da interpretação operística concebida como fusão total de palavra, voz e atuação o levou de modo quase natural à direção. A partir de Simon Boccanegra em Chicago e Londres em 1965 seguem-se muitas produções nas quais atua como diretor e cantor, e depois outras nas quais fará somente a direção.


No início dos anos 70, começa a dedicar-se também ao ensino, dando Master Classes em Firenze, na Italia, estando também na Inglaterra, Suécia, Suíça, Áustria e Estados Unidos.


Em 1942 efetua seu primeiro registro fonográfico, iniciando com discos de árias solo e canções para depois passar às óperas completas em 1953.
Apareceu como protagonista em 26 filmes, alguns deles filmagens de óperas (Il Barbiere di Siviglia, Rigoletto, Pagliacci etc.).

Publicou dois livros: “La mia vita” e “Tito Gobbi on his world of Italian opera”.

Faleceu em Roma a 5 de março de 1984.

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