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Existe algum trabalho que você considere
um marco na sua carreira?
Sem duvida foi
Pedro Malazarte, uma ópera que demorei
sete anos para conseguir montar. Tudo começou
em 1989, quando o Instituto Goethe me incumbiu
de localizar uma ópera brasileira
que pudesse representar o Brasil no Festival
Brasileiro |
que aconteceria em Zurich. Pesquisei vários
titulos e quando vi Mário de Andrade e Camargo
Guarnieri na autoria da obra não tive dúvidas.
Consegui inclusive várias entrevistas com
o próprio Guarnieri ainda vivo, que ficou
muito emocionado com a possibilidade de ver novamente
encenada essa sua pequena obra prima. Nunca consegui
o dinheiro que pudesse levar a produção
para lá. Mas não abandonei a idéia.
Foram várias reuniões com o compositor,
que me elucidou vários aspectos da obra.
E Guarnieri me dizia:
-Estão esperando eu morrer para encenarem
esta obra.
Só em 1996, consegui finalmente montar no
Palácio das Artes em Belo Horizonte, tendo
a honra de contar com a participação
do veteraníssimo tenor Benito Maresca. E
depois como já disse, novamente no Teatro
São Pedro em 2000, com excelentes resultados
de público e crítica, notadamente
a do mestre Lauro Machado Coelho que marcou seu
retorno à crítica no Estado de São
Paulo com esta matéria. Infelizmente o compositor
nunca pode assistir, e vibrar com esse sucesso de
sua obra (Camargo Guarnieri nos deixou em 1993).
Considero um marco, por ser uma obra prima desconhecida,
que ainda me colocou em contato com o compositor,
não menos relevante para a nossa história
musical. Apesar, de considerar outras montagens
muito importantes para minha carreira como foram
A Flauta Mágica (quatro vezes), Don Pasquale
(três vezes), O
| Barbeiro
de Sevilha (duas montagens) cuja versão
considero minha melhor criação
e La Forza del Destino com sua cenografia
de papel que algumas pessoas, por puro preconceito,
criticaram, se esquecendo de ver que por
trás dos 5 km de papel Kraft existia
toda uma dinâmica de ilusão
e transformação. E por uma
força do destino, |

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esta ópera de Verdi, que há 56 anos
não era encenada na cidade, estreou no Municipal
de São Paulo, no mesmo dia em que Don Pasquale
estreava no Festival de Inverno de Campos do Jordão
- quase enlouqueci ensaiando as duas óperas
ao mesmo tempo, mas saí vitorioso da empreitada.
Acho que sou o único no Brasil que pode se
orgulhar de ter dirigido duas grandes óperas
em dois grandes teatros, com dois elencos importantes,
que estrearam no mesmo dia e horário e ainda
com críticas super favoráveis.
Em
julho voce estará na direção
da ópera Zaíra, de Bernardo José
de Souza Queiroz, baseada em tragédia de
Voltaire. Como foi o convite para esta obra?
O convite veio da direção do importante
Festival Internacional de Música Colonial
Brasileira e Música Antiga, promovido há
15 anos, pelo Centro Cultural Pró-Música
de Juiz de Fora. Participar de uma redescoberta
deste porte me deixou muito honrado. Apesar da dificuldade
que está sendo montar uma ópera que
nunca ouvi uma nota sequer. Os recitativos estão
perdidos e está sendo um trabalho duro reconstruir
a seqüencia das cenas.
O
que podemos esperar da ópera Zaíra?
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Creio que o prazer de ouvir e ver uma obra
perdida há muito tempo baseada num
texto que inspirou pelo menos cinqüenta
compositores, entre eles Bellini e Mercadante,
e que ainda possui um tema extremamente
atual, pois fala da luta |
entre cristãos e muçulmanos. Com relação
à concepção do espetáculo,
adianto que estou fazendo uma pesquisa sobre a cenografia
e iluminaçáo da época, para
tentar retratar para o público a forma como
eram apresentadas as óperas no início
do seculo dezenove. E pelo que eu pude ver na partitura
que me enviaram a música deve ser muito bonita,
se aproximando muito de Gluck, Mozart e Cimarosa,
pois a escrita vocal é extremamente ornamentada.
Existe alguma idéia de apresentar esta
obra fora do Festival de Juiz de Fora?
Por enquanto nenhuma que eu saiba. Vamos esperar
a apresentação e aí, quem
sabe, aparece alguma possibilidade.
Além do Festival de Juiz de Fora voce estará
trabalhando em uma oficina de cantores em Curitiba.
Como será este trabalho?
Já dei várias vezes este tipo de
Oficina (em São Paulo, Maringá,
Itu,) e a última foi em 2003 em Curitiba
mesmo, que culminou na montagem da ópera
Suór Angélica. O intuito é
desenvolver um estudo aprofundado da partitura
de uma ópera, analise dos personagem, e
técnicas de representaçáo,
especificas para o cantor lirico, aliado a um
trabalho corporal com exercicios fisicos de relaxamento
e concentração. Este ano não
culmina na montagem de uma ópera, e sim
na apresentação de uma série
de cenas de diversas óperas, o que didaticamente
funciona muito bem, além de ser agradável
para o público.
O que voce pode nos adiantar sobre a ópera
"La Traviata" que será apresentada
em Setembro no Theatro São Pedro - SP?
| Para
mim em primeiro lugar é uma felicidade,
retornar ao palco do Theatro São
Pedro onde já realizei tanta coisa
importante (Malazarte, Barbeiro de Sevilha,
Don Pasquale uma série de recitais
e onde com a Flauta Mágica para Crianças,
recebi o prêmio Coca Cola.) Um teatro
com acústica perfeita para o canto.
É muito |

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importante apresentar esta opera no São Pedro,
principalmente porque Verdi e Traviata são
muito populares. Contamos com o apoio da Prefeitura
de Americana (onde estreará dia 11 de Setembro)
que inaugura sua orquestra e coral, sob a regencia
do Mto Carlos Lima, contamos com solistas convidados,
como Kalinka Damiani (com quem já realizei
essa Ópera em Ribeirão Preto, sob
a regencia de Tullio Colaccioppo) e Marcelo Vanucci.
Os demais solistas serão escolhidos por uma
comissão da Cia Ópera São Paulo,
nos dias 23 e 24 de julho no próprio Theatro
São Pedro. As récitas em São
Paulo serão nos dias 18 e 19 de Setembro.
Quanto a minha concepção, gostaria
de não revelar detalhes ainda, apenas, que
reservo uma grande surpresa no final.
Voce gostaria de deixar algum recado para os leitores?
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Sim, que comecem a avaliar melhor os espetáculos
de opera, manifestando realmente o seu agrado
ou desagrado,e que não tenham medo
de vaiar, como em qualquer lugar do mundo,
pois tenho visto tanta produção
feia e medíocre, que custa milhões
e o público aplaude por educação.
Lembrem-se que muitas vezes é dinheiro
público que está ali!! E aproveito
para agradecer ao Guia Erudito, pela
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oportunidade de escrever aqui, aproveitando para
parabenizar a feliz iniciativa tão importante
na divulgação de nosso trabalho como
também o bom gosto da apresentação
do site.
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