O Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, promovido pelo Centro Cultural Pró-Música (Juiz de Fora/MG), entre 15 e 28 de julho, tem entre seus destaques o maior departamento de música antiga do país. Philippe Pierlot, um dos grandes nomes do cenário da música antiga mundial, é um destes professores e retorna ao Festival, oferecendo rara oportunidade aos estudiosos da viola da gamba. Como ele, outros referenciais no ensino da música integram o elenco de alto nível do Festival, resultado de trabalho contínuo e estável realizado pelo Centro Cultural Pró-Música na formação do quadro de professores. O evento oferece, ainda, cursos com 55 professores brasileiros e estrangeiros de instrumentos antigos e modernos, práticas de orquestras, regência e coral, didática da musicalização, além de transcrição e edição de documentos antigos.
Este ano, os interessados poderão se inscrever para masterclass com Paulo Bosísio (pedagogia do violino, exclusivo para professores), Geir Braaten (piano), Raquel Aranha (dança barroca) e Mônica Lucas (clarinetes históricos). A possibilidade do aprendizado conjunto nas orquestras é outro ponto alto do Festival. Nos últimos dias da programação cultural, seis formações musicais apresentam ao público os resultados dos trabalhos realizados. Todos os cursos e oficinas do evento estão concentrados na Academia de Comércio/Colégio Cristo Redentor em prédio de bela arquitetura que abriga uma das mais tradicionais e respeitadas instituições de ensino de Juiz de Fora.
Programação cultural e inscrições
Paralelamente aos cursos, acontecem 40 concertos, todos com entrada gratuita, em Juiz de Fora e palcos avançados, como Rio de Janeiro, Tiradentes e Mariana, para um público estimado em 80 mil pessoas.
As inscrições, abertas em 1º de junho, podem ser feitas, pela internet ou no centro cultural, até a véspera da abertura do Festival, dependendo da disponibilidade de vagas. Todas as informações, inclusive a ficha de inscrição, estão disponíveis no site www.promusica.org.br . A taxa cobrada é de R$ 60, sendo R$ 30 pagos no ato da inscrição e o restante no início do evento.
Mestres na coordenação e na direção artística
Desde a primeira edição do evento, os cursos têm a coordenação de mestres da música que conhecem e se identificam com a proposta do Centro Cultural Pró-Música. Paulo Bosísio coordena a área de cordas, Nelson Nilo Hack, as orquestras, Homero Magalhães Filho é responsável pela coordenação das oficinas de vozes, Sérgio Dias pela pesquisa musicológica e Luís Otávio Santos pela direção artística. Bosísio é professor de violino da Universidade do Rio de Janeiro. Mestre de alunos que se transformaram em grandes nomes da música nacional e internacional, ele se apresenta regularmente como recitalista, solista de orquestra ou camerista no Brasil e na Europa. O músico é diplomado e pós-graduado na Escola Superior de Música de Colônia, Alemanha.
Nelson Nilo Hack é considerado o maior maestro pedagogo do país. Aos 88 anos de idade, mantém suas atividades e se orgulha de ter dirigido a Orquestra Juvenil do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, da qual saíram alunos para a Orquestra Filarmônica de Londres e para a Orquestra de Firenze, considerada a melhor da Itália. Entre os nomes da orquestra, o maestro destaca músicos como Antônio Menezes, considerado um dos maiores violoncelistas do mundo na atualidade, Paulo Bosísio, Michel Bessler, Bernardo Bessler, Paulo Nave e Márcio Carneiro. Há mais de 20 anos, Hack é o responsável pela formação de jovens músicos nas orquestras de Câmara e Sinfônica Jovem do Centro Cultural Pró-Música, de Juiz de Fora.
Homero Magalhães Filho, coordenador das oficinas de vozes, é organizador e diretor artístico de vários festivais de música. Mesmo radicado na França, o músico vem anualmente ao Brasil para dedicar-se a estes eventos. Homero estudou no Conservatório Real de Haia, onde recebeu os diplomas de professor de flauta doce e regente de coro. Na França, conquistou o “Certificat d´Aptitude de Chant Choral”, o que lhe permitiu ocupar o cargo de professor de Regência Coral do Conservatório de Metz. Dirigiu o Ensemble Vocal Sotto Voce, de Paris, com o qual gravou um disco e obteve o Grand Prix do Fórum Choral d´elle de France.
Sérgio Dias é graduado em flauta, composição e regência, pós-graduado em educação musical, em arte e cultura barroca e mestre em música (com área de concentração em musicologia histórica). É membro da Sociedade Brasileira de Musicologia e do Comitê Interamericano de Música. Como pesquisador do passado musical brasileiro, possui inúmeras transcrições, restaurações, edições, execuções e gravações (a maioria delas sob sua regência) de antigos documentos musicais mineiros da segunda metade do século XVIII. Todas estas realizações propiciaram importantes registros de mestres como José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, Manuel Dias de Oliveira, Pe. João de Deus de Castro Lobo, Pe. José Maurício Nunes Garcia e Joaquim de Paula Souza. É um dos fundadores da Capella LusoBrasiliensis, grupo português dedicado à interpretação, em instrumentos de época, das música portuguesa e brasileira dos setecentos.
O interesse de Luís Otávio Santos pela música antiga o levou a mudar-se para a Holanda em 1990, onde ingressou no Koninklijk Conservatorium Den Haag, sendo aluno de Jacques Ogg (cravo) e Sigiswald Kuijken (violino barroco). Em 1996, obteve o Diploma de Solista (Master’s degree) com a mais alta distinção. Desde 1992 é um dos principais membros da importante orquestra barroca “La Petite Bande”, na qual vem atuando como solista, spalla e um dos mais próximos colaboradores do maestro Sigiswald Kuijken. Com este grupo realiza turnês por vários países da Europa, China, Japão, México, Colômbia, Argentina e Brasil, assim como dezenas de CDs e gravações para as TVs belga, francesa e japonesa. Luís Otávio Santos atua tambem como spalla e solista de outros grupos europeus, como Ricercar Consort (dir. Philippe Pierlot), Le Concert Français (dir. Pierre Hantai), De Nederlandse Bachverening (dir. Gustav Leonhardt) e Il Fondamento (dir. Paul Dombrecht). É diretor musical da “Den Haag Baroque Orchestra”, que possui varios CDs gravados na Alemanha e realizou duas turnês no Brasil. Desde 1998 é professor de violino barroco do Conservatório Real de Bruxelas, Bélgica. Em 2004, gravou seu segundo disco solo com sonatas de J.M.Leclair (acompanhado pelo cravista Alessandro Santoro e o gambista Ricardo Rodriguez) para o selo alemão Rameé e recebeu o prêmio “Diapason D’Or”, a maior distinção concedida a um CD na França. No Brasil, Luís Otávio Santos é diretor artístico do Festival Internacional de Musica Colonial Brasileira e Musica Antiga de Juiz de Fora e regente da Orquestra Barroca do Festival.
O Festival conta com patrocínio de Petrobrás, Belgo, Cemig, Prefeitura de Juiz de Fora e TIM. Além disso, o evento tem o apoio de Tribuna de Minas, Panorama, DaimlerCrysler, Funalfa, UFJF, Academia de Comércio/CES, Trópico e Leis de Incentivo à Cultura do Governo do estado e federal.
Acompanhe nossa programação e informações sobre o Festival no site www.promusica.org.br